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Os céus devem estar loucos!

A atmosfera, como um dos componentes do sistema climático, é um complexo e delicado espaço onde ocorrem dinâmicas sujeitas a mecanismos de realimentação e conexões. Assim, as flutuações meteorológicas são uma condicionante permanente e incontornável.

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 19 Set. 2018 - 11:43 UTC
A desregulação de parâmetros associados à temperatura, pressão e humidade, afectam directamente a circulação global dos ventos!

Em torno do planeta, na atmosfera, existem diversas células de circulação, que transportam o ar quente das regiões equatoriais para as polares, e que levam o ar das massas de água para a costa, e das áreas de costa, de volta para as massas de água. Trata-se de uma dinâmica criada pela transferência de calor na linha do equador, aliada ao movimento de rotação do planeta, e à força de Coriolis, a qual permite definir os diferentes climas regionais, assim como o tipo de eventos meteorológicos que ocorrem em cada uma das regiões do planeta.

E, para que ocorram fenómenos climáticos intensos, como ciclones, tornados e furacões, é tão simplesmente necessário que surjam fortes mudanças na pressão atmosférica, associadas a variações de temperatura (do ar e massas de água) e ao aumento de humidade do ar.

Outra variável potenciadora de eventos climáticos extremos, são os chamados fenómenos de circulação global. Trata-se de mudanças nos gradientes de pressão, que ciclicamente ocorrem no Oceano Pacífico, na corrente de Humboldt – El Niño (aquecimento anormal da corrente, provocando a perda de força dos ventos alíseos de sudeste) e La Niña (arrefecimento anormal da corrente que intensifica a força desses ventos).

Considerar igualmente que, numa célula convectiva, os movimentos verticais, procurando o equilíbrio, promovem uma das mais eficazes formas de transporte de calor e da sua redistribuição na atmosfera. Isto acontece porque, quando o ar quente e húmido sobe e esfria, a humidade condensa-se em gotículas de água, libertando o calor latente, aquecendo o ar. E, o ar quente e húmido sobe mais alto e mais rápido do que o ar quente e seco, uma vez que o ar esfria mais lentamente quando não tem humidade. Ora, quando as gotas de água congelam, libertam mais calor latente, aquecendo ainda mais o ar, e aumentando a instabilidade atmosférica – ingredientes deflagradores de Cumulonimbus incus - nuvens com aspecto de bigorna, associadas a fortes tempestades.

As tempestades constituem-se de updraft (corrente ascendente, pelo aumento do ar quente e húmido) e downdraft (fluxo descendente, pelo arrefecimento do ar e que contém precipitação).

O vento, sempre importante!

O gradiente de vento tem efeitos determinantes na forma como uma corrente ascendente se comporta. Importando considerar o chamado cisalhamento do vento, que se constitui pelas mudanças em altitude, verticais e/ou horizontais, que podem ocorrer na velocidade e/ou direcção do vento. Sendo que, quando mudam de direção com a altura (corte direcional), as correntes de ar começam a girar (efeito tornado).

E então onde é mais provável acontecerem grandes tempestades? Nos trópicos, onde a tropopausa é mais alta (cerca de 15 a 18km), permitindo o desenvolvimento de supercélulas e imponentes descargas eléctricas (relâmpagos e trovões) de dezenas de km de núcleo. Mas, evidentemente, em qualquer outra coordenada geográfica, onde a atmosfera do planeta encontre condições que possibilitem o seu reequilíbrio energético.

Ou seja, a magnitude dos eventos climáticos assume uma dimensão extremada, quando nessa equação, é considerada a vulnerabilidade a que o ser humano se propicia, pois o comportamento da atmosfera continuará sempre, necessária e incontornavelmente, indomável!

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