Estarão as ondas de calor mais intensas?

A onda de calor excecional que atingiu grande parte da Europa durante a última semana de junho de 2019 quebrou vários recordes históricos em diversos locais de França, Suíça, Áustria, Alemanha, República Checa e Espanha. Saiba mais aqui.

Teresa Abrantes Teresa Abrantes 17 Jul. 2019 - 16:48 UTC
O Homem é um dos causadores do aquecimento global.

Segundo os dados fornecidos pelo Serviço Copernicus de Alterações Climáticas (C3S), implementado pelo Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF) em nome da UE, as temperaturas estiveram 6 ºC a 10 ºC acima do normal na maior parte da França, Alemanha e norte de Espanha nos últimos dias do mês de junho.

Impactos e recordes de temperatura

O recorde de temperatura de todos os tempos em França foi quebrado em Gallargues-le-Montueux, Gard, perto da cidade de Nîmes a 28 de junho, com um novo recorde de 45,9°C. Numerosos registos de temperaturas máximas de junho foram quebrados em outros países, tais como a República Checa, Espanha e Suíça.

Na Suíça, novos recordes para junho foram confirmados em mais de 40 estações e novos recordes de todos os tempos foram confirmados em seis estações de altitude. Na Áustria e na Holanda, todo o mês de junho de 2019 foi o mais quente já alguma vez registado, em grande parte devido à onda de calor.

As temperaturas muito elevadas que se registaram representaram uma grande ameaça para a saúde das pessoas, para a agricultura, para os incêndios florestais e o meio ambiente, mas os relatórios indicam que os avisos e alertas precoces do efeito do calor na saúde limitaram com sucesso o número de mortos. Ainda segundo o C3S a temperatura média global foi cerca de 0,1 ºC superior à do mês de junho mais quente de 2016. No entanto em Portugal o mês de junho de 2019 foi o junho mais frio desde 2000.

Anomalia da temperatura média a 2 metros no período de 25-29 de junho de 2019. Fonte: climate.copernicus.eu

Ondas de calor e a mudança climática

De acordo com especialistas do grupo World Weather Attribution, a avaliação das temperaturas médias em França entre 26 e 28 de junho mostrou um aumento "substancial" na probabilidade da onda de calor acontecer como resultado do aquecimento global causado pelo homem. Jean-Noel Thepaut, do C3S disse: "Embora isso fosse excecional, é provável que vejamos mais desses eventos no futuro devido à mudança climática."

Peter Stott, do Serviço Meteorológico Inglês, MetOffice, especialista em analisar o papel da mudança climática em condições climáticas extremas, afirmou que "uma onda de calor similarmente extrema, há 100 anos atrás, teria sido provavelmente cerca de 4°C mais fria".

Em resposta ao calor recorde, a professora Hannah Cloke, pesquisadora de riscos naturais da Universidade de Reading, disse: “Este é o junho mais quente registado na Europa e o junho mais quente que já tivemos a nível global. As ondas de calor ocorrem em qualquer clima, mas sabemos que as ondas de calor estão-se tornando muito mais prováveis devido às mudanças climáticas. O clima global continua cada vez mais quente, com o aumento dos gases de efeito de estufa, como os cientistas previram há décadas”.

De acordo com um estudo - “Human contribution to the record-breaking June 2019 heatwave in France" - levado a cabo por alguns especialistas de diferentes Serviços Meteorológicos em colaboração com outras entidades, como universidades, conclui-se que cada onda de calor que ocorre na Europa hoje é mais provável e mais intensa devido à mudança climática induzida pelo homem. A variação da intensidade depende muito da localização, época do ano e duração do evento. Ainda segundo o mesmo estudo, uma onda de calor intensa está a ocorrer pelo menos 10 vezes mais frequentemente hoje do que há um século atrás.

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