tempo.pt

Cinco extinções em massa que devastaram o nosso planeta: descubra-as!

Desde o período Ordoviciano até à atualidade, cinco extinções em massa marcaram a história do planeta. A questão que resta é se sobreviveremos ao sexto evento, que já pode estar em andamento.

terra; extinção em massa
Desde períodos antigos até aos dias atuais, cinco extinções em massa marcaram a história do planeta. O ser humano sobreviverá à sexta, já em andamento?

Todos os seres vivos que conhecemos hoje - inclusive nós - representam apenas uma minúscula fração de tudo o que já existiu. Estima-se que 99% das espécies que habitaram o planeta nos últimos 3,5 bilhões de anos foram extintas.

Registos fósseis e geológicos deram aos cientistas provas suficientes para identificar cinco dos eventos responsáveis por esta taxa tão alta de mortalidade. São os chamados eventos de extinção em massa, quando pelo menos 75% das espécies do planeta desaparecem num piscar de olhos geológico – que pode variar de milhares a milhões de anos.

Cada extinção em massa encerrou um período geológico do planeta com uma sequência de catástrofes mortais. As espécies sobreviventes, por sua vez, prosperaram sobre o que restou, explodindo em diversidade e território. Nós somos o resultado deste processo.

Consulte os cinco eventos de extinção em massa conhecidos pelos cientistas:

1 - Fim do Ordoviciano

Ocorrido há 443 milhões de anos atrás, o evento deu-se graças a duas grandes mudanças climáticas planetárias. Primeiro, as camadas de gelo avançaram, o que mudou radicalmente as correntes oceânicas e criou um clima severo nas regiões equatoriais e de latitude média.

As espécies que conseguiram sobreviver ao primeiro golpe sucumbiram no segundo: um degelo repentino, que causou outra mudança severa na circulação oceânica e no clima planetário. 86% das espécies e 57% dos géneros existentes foram extintos.

2 - Fim do Devoniano

Nem todos os eventos de extinção em massa são rápidos. Este demorou 20 milhões de anos para acontecer. Entre 359 e 380 milhões de anos atrás, uma série de mudanças climáticas inesperadas aconteceram no planeta, incluindo a chamada Crise de Hangenberg.

A causa destas mudanças é incerta, e embora a explicação mais aceite esteja relacionada com uma elevada atividade vulcânica, há hipóteses de que até possa ter sido resultado até mesmo de uma supernova (explosão estelar) próxima do Sistema Solar. Cerca de 75% das espécies e 35% dos géneros foram extintos.

3. Fim do Permiano

Há 251 milhões de anos atrás, outro evento pode ter sido desencadeado por uma intensa atividade vulcânica planetária, especialmente na Sibéria. Erupções expeliram gás tóxico, acidificaram os oceanos e destruíram a camada de ozono, o que permitiu a passagem de radiação solar mortal.

Acredita-se que o evento ocorreu ao longo de um período de 50 mil anos, e que 96% das espécies e 56% dos géneros foram extintos. Tantas florestas foram destruídas que, durante muito tempo, não houve material para ser queimado: existe uma “lacuna de carvão” no registo geológico.

4. Fim do Triássico

Os vulcões são implacáveis. Novamente, há 201 milhões de anos atrás, erupções maciças numa região que viria a ser o Oceano Atlântico causaram um surto climático no planeta, acabando com cerca de 80% das espécies e 47% dos géneros.

Este episódio abriu espaço para que os dinossauros sobreviventes explodissem em diversidade, assim como as suas espécies mais próximas, dominando completamente o planeta ao longo das eras seguintes.

5. Fim do Cretáceo

Finalmente, há 65 milhões de anos atrás, ocorreu o famoso impacto de meteoro na península de Yucatán, no México. Como se já não fosse terrível por si só, há hipóteses de que o evento tenha desencadeado uma intensa atividade vulcânica em todo o planeta.

Um pico na emissão de dióxido de carbono e uma queda nos níveis de oxigénio do oceano foram seguidos por um rápido arrefecimento pós-impacto. Cerca de 76% das espécies e 40% dos géneros foram extintos, terminando o reinado dos dinossauros.

Depois deste evento, os mamíferos adaptaram-se rapidamente para explorar nichos ecológicos recém-desocupados, assim como um único ramo de dinossauros, mais conhecidos hoje como pássaros. Isto também possibilitou o advento da Humanidade.

6. Sexta Extinção em massa?

Falando em Humanidade, agora a atividade humana pode estar a catalisar a "sexta extinção em massa”. Um estudo de 2015 da Science Advances estimou que o ritmo atual de extinção de espécies pode estar até 100 vezes mais elevado do que a taxa normal estimada através de estudos geológicos.

Os principais agentes deste aumento são o crescimento populacional humano, o aumento do consumo de recursos e as alterações climáticas causadas pela ação humana. Ao longo do tempo, espécies extintas reduzem a biodiversidade, desestabilizam ecossistemas e causam outras extinções, gerando uma corrente cada vez mais forte que não pode ser parada facilmente.

No fim de contas, a Humanidade pode acabar por ser, não apenas o agente causador da sexta extinção, mas também uma das suas vítimas. Se vamos sobreviver, só o tempo o dirá.