Quando o Sol se extinguir, o que acontece ao Sistema Solar?

Cientistas descobrem aquilo que poderá ajudar a desvendar o destino do nosso sistema solar depois da morte do Sol, a estrela responsável pela vida na Terra. Contamos-lhe todos os detalhes aqui!

Alfredo Graça Alfredo Graça 23 Jan. 2020 - 12:57 UTC
Sistema Solar
Planetas do Sistema Solar a orbitar em torno do Sol.

Se não existisse o Sol, a vida na Terra simplesmente não seria possível. Contudo, estrelas como o Sol acabam por ficar sem combustível, expandindo até se despedaçarem em pequenos corpos celestes denominados de anãs brancas. Fica portanto a questão: o que vai acontecer com a Terra e com outros planetas do Sistema Solar quando o Sol se extinguir? Christopher J. Manser, investigador de pós-doutoramento no Departamento de Astrofísica da Universidade de Warwick, Reino Unido, projetou algumas previsões baseadas em descobertas recentes.

O investigador e a sua equipa desenvolveram uma nova abordagem para inspecionar o gás em redor das anãs brancas. A técnica utilizada, designada de espectroscopia, foi capaz de identificar um fragmento planetário a orbitar a anã branca SDSSJ122859.93 + 104032.9, a cerca de 410 anos-luz de distância, recorrendo ao Gran Telescopio Canarias - o maior e mais avançado telescópio do mundo.

A descoberta foi surpreendente para os astrónomos, que não acreditavam que algo fosse capaz de sobreviver ao circular tão perto duma anã branca. Esta anã branca possui somente o tamanho da Terra, no entanto contém cerca de 60 a 70% da massa do Sol, o que a torna extremamente densa. Se um corpo orbitar muito perto duma anã branca, a poderosa gravidade deverá destruí-lo, dando origem a um disco de gás e detritos em seu redor.

Estrela binária Sirius
A estrela binária Sirius dista 8,57 anos-luz da Terra.

A origem do corpo celeste permanece um mistério

Então, como é que o fragmento encontrado pelos astrónomos sobreviveu sem ser despedaçado? Os cientistas calcularam que para tal, o corpo deveria ser bastante denso ou ter uma força interna significativa a ponto de o manter inteiro. Segundo os investigadores, o fragmento teria provavelmente um diâmetro máximo de 720 quilómetros - tamanho equivalente ao de um pequeno planeta menor, como o planeta-anão Ceres, por exemplo, que possui 946 quilómetros de diâmetro.

A origem do corpo celeste permanece um mistério. Um dos cenários especulados é que seja o núcleo de um planeta menor que foi lançado para as redondezas da anã branca por um planeta maior e mais longínquo. Assim que o planeta menor passou perto da anã branca, as suas camadas de crosta e manto poderão ter sido ‘rasgadas’.

Descobertas como esta podem ajudar os cientistas a entender o futuro do nosso próprio sistema planetário. Em cerca de 5 biliões de anos, o Sol deverá começar a expandir-se abarcando Mercúrio, Vénus e provavelmente a Terra — a não ser que fôssemos capazes de mover o nosso planeta para uma órbita mais ampla, o que, em teoria, até poderá ser possível.

Contudo, no decorrer desse processo, o planeta Marte, a cintura de asteróides e o resto do Sistema Solar deverão sobreviver, continuando a orbitar enquanto o Sol colapsa numa anã branca. Os planetas como Júpiter também poderão vir a espalhar asteróides, cometas ou até planetas menores rumo à anã branca, onde poderiam acabar por sofrer uma rutura. É improvável que qualquer organismo vivo em fragmentos planetários ou lunares possa sobreviver a isto. Mesmo que conseguissem sobreviver, teriam de lutar para viver sob a luz fraca de uma anã branca.

Investigações futuras

Nas próximas fases da investigação, os cientistas pretender verificar se os discos de poeira e gás em torno de seis anãs brancas são à prova da presença de planetas menores. Quanto mais planetas forem identificados, mais os especialistas aprenderão sobre o destino dos sistemas planetários quando as suas principais estrelas se extinguem.

A técnica desenvolvida pelos astrónomos poderá também ajudar a descobrir mais sobre a composição dos exoplanetas. Apesar da atmosfera duma anã branca standard ser pura, torna-se poluída se consumir material planetário, permitindo que os investigadores calculem a quantidade de cada elemento presente.

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