A poluição aumenta o risco de sofrer esquizofrenia

É um facto já comprovado que a poluição afeta diretamente a nossa saúde, mas agora novos estudos confirmam o seu vínculo com outra doença: a esquizofrenia.

Maider Rodríguez Maider Rodríguez Alfredo Graça 21 Jan. 2020 - 11:53 UTC
poluição e esquizofrenia
A poluição relaciona-se estreitamente com problemas de saúde físicos e psíquicos.

As palavras da presidente da Comunidade de Madrid há algumas semanas atrás foram muito polémicas, depois de afirmar que “em Madrid ninguém tinha morrido por poluição”. Discrepâncias e polémica à parte, são muitos os estudos que demonstram a relação direta entre poluição e problemas de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a poluição aumenta o risco de sofrer problemas respiratórios como a asma, a bronquite ou a pneumonia e doenças crónicas como o cancro de pulmão, além de ter impacto nas doenças cardiovasculares.

Nos últimos anos saíram estudos que relacionaram a poluição com uma menor esperança de vida ou uma diminuição das nossas capacidades cognitivas. Agora, outro estudo levado a cabo na Dinamarca vai mais além e relaciona a exposição de crianças à poluição com o aumento de casos de esquizofrenia.

Poluição, crianças e esquizofrenia

Até agora, os estudos que relacionavam poluição e saúde estavam mais direcionados aos efeitos sobre a saúde física, mas um estudo recente estabelece uma relação direta entre poluição e problemas psicológicos.

Este estudo foi realizado combinando dados genéticos do programa dinamarquês de psiquiatria iPSYCH com dados de poluição do ar do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade de Aarhus. O estudo conclui que as crianças que estão expostos a altos níveis de poluição do ar na sua fase de crescimento têm um maior risco de sofrer esquizofrenia. Além disso, quanto maior é o nível de poluição, maior é o risco de esquizofrenia. Portanto, as crianças expostas a um nível diário acima dos 25 µg/m3 de média, tem 60% mais de probabilidade de desenvolver esquizofrenia que aqueles que estão expostos a níveis inferiores aos 10 µg/m3 . Cada aumento médio diário de 10 µg/m3 incrementa a probabilidade de sofrer esta doença em 20%.

Para que tenhamos uma ideia, se a probabilidade que uma pessoa tiver de sofrer esquizofrenia for de 2%, segundo este estudo, se estivermos expostos aos mais altos níveis de poluição essa probabilidade aumentaria para 3% enquanto que, se estivermos expostos a baixos níveis, a probabilidade ficaria abaixo de 2%.

poluição e autismo
A poluição do ar foi relacionada com dois processos biológicos implicados no autismo.

Causa desconhecida

Das 23.355 pessoas estudadas, 3.531 sofriam de esquizofrenia. Ainda que a relação entre a contaminação e esquizofrenia seja clara e a carga genética é importante neste sentido, não se pode concluir que os genes estejam por detrás deste aumento. Desconhecem-se, portanto, as causas pelas quais a poluição aumenta os casos de esquizofrenia realçando-se a necessidade de mais estudos deste tipo.

A poluição também aumenta o risco de autismo

Um estudo anterior publicado na revista Environmental Health Perspectives, concluiu que as mulheres grávidas expostas a altos níveis de poluição durante o seu último trimestre de gestação e o primeiro ano de vida da criança, tinham maior probabilidade de que os seus bebés sofressem do transtorno do espectro autista (TEA), até ao dobro. Além disso, o risco é linear, ou seja, maior exposição, maior risco.

Ainda que o autismo seja um transtorno com um alto componente genético, cerca de vinte e cinco investigações relacionaram os níveis de poluição durante a gestação e os primeiros anos de vida e o autismo.

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