As caprichosas nuances do sistema climático

Toda a vida no planeta está sujeita ao poder do clima, tendo possibilitado a evolução ou o desaparecimento de civilizações. A meteorologia personifica a ciência que avalia as variáveis climáticas a fim de perspetivar estados do tempo. Descubra mais aqui connosco!

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 10 Dez. 2019 - 16:13 UTC
Condições climáticas favoráveis propiciam a prosperidade de grandes impérios, mas condições adversas podem vir a eclodir conflitos humanos.

O clima do planeta constitui um mecanismo de diversas trocas de energia, dependente da interação contínua das formas de vida com toda uma panóplia de variáveis interrelacionais e naturais: massas de ar, de gelo, corpos de água doce e salgada, rochas e solo, e por isso incontornáveis, independente dos intentos humanos.

A água, o calor e a atmosfera criaram uma estabilidade climática que possibilita a existência de vida na Terra. Com a formação dos oceanos e separação dos continentes, desenvolveram-se quatro subdivisões climáticas: as estações do ano. Com as diferenças de temperatura entre a litosfera e os extensos corpos de água, geraram-se as massas de ar, os ventos, e com a ajuda dos istmos formaram-se essenciais correntes oceânicas. Um sequencial e interrelacional processo que perspetiva organização, mas, o clima sempre foi propenso a alterações repentinas, com consequências dramáticas para a vida no planeta.

Frio intenso, calor opressivo, secas devastadoras, as mudanças extremas nos padrões climáticos que se foram organizando ao longo da história do planeta, terão contribuído para a extinção dos resistentes Neandertais, na Europa há 60.000 anos, possibilitado ao moderno, há 45.000 anos, Homo sapiens-sapiens (99.9% do nosso ADN) oriundo da África Oriental, povoar o planeta.

O essencial e incontornável poder do Sol

Pela constância da temperatura média do planeta, o sistema climático consegue um equilíbrio térmico - a energia recebida do Sol é igual à emitida para o espaço. Todavia, este balanço energético pode-se desequilibrar se a energia perdida para o espaço for menor que a recebida, aumentando a temperatura média do planeta, decorrente, por exemplo, de uma desproporção nos gases que compõem a atmosfera (CO₂ e CH₄ por ação antropogénica, ou CO₂, SO₂ e HCl emitidos nas incontroláveis erupções vulcânicas) cujas cinzas provocam ainda, efeito espelho, impedindo penetração da luz solar.

A capacidade em compreender o meio ambiente e suas mudanças são a estratégia ideal no sentido de adaptar às cíclicas alterações do clima.

Refira-se que alterações no sistema climático estão relacionadas com fatores como a órbita da Terra em torno do Sol, a inclinação do eixo do planeta e a intensidade da atividade solar, sendo que tudo isto varia constante e regularmente. Senão vejamos, a atividade solar (manchas escuras na superfície do Sol) flutua em ciclos que alcançam o seu apogeu a cada 11 anos; realce-se que, a órbita da Terra é quase circular, mas outras vezes é mais elíptica, uma nuance que ocorre num ciclo orbital a cada 100.000 anos e, a cada 40.000 anos, o ângulo do eixo da Terra também altera.

Estas oscilações regulares do aumento e diminuição da intensidade da radiação solar, provocam mudanças no clima da Terra. Contudo, ciclos irregulares como variações nas correntes oceânicas, traduzem-se igualmente em alterações no sistema climático. Por exemplo, a corrente do Golfo, gigantesca bomba de calor que transporta água quente até à Europa, sempre que acelera ou abranda provoca flutuações entre 6 a 8 ºC na temperatura do Atlântico Norte, propiciando a ocorrência de eventos meteorológicos extremos.

A meteorologia pode alterar o clima?

Esta ciência estuda os processos que ocorrem nos 20 km mais baixos da atmosfera, a troposfera, onde se desencadeiam eventos meteorológicos como chuva, vento, tempestades, e todos os demais. Adicionando a observação, análise estatística e poderosos modelos matemáticos computacionais, reúnem-se condições para prever comportamentos atmosféricos, estados de tempo ao nível regional com antecedência de 3 dias, e com índice de assertividade de 90 %.

Com efeito, alterações no clima afetaram os antepassados hominídeos que tiveram de sobreviver, adaptar ou desaparecer, sendo que em:

  • 60.000 a.C., as temperaturas médias eram 5 ºC inferiores às atuais. Uma extensa capa de gelo Ártico estendia-se até à Europa, congelando água o suficiente para baixar os níveis dos mares até 100 metros em todo o planeta.
  • 17.000 a.C. ocorreram alterações na órbita terrestre, o planeta posicionou-se mais próximo do sol, e passou a experienciar uma primavera global, que se propaga até à atualidade, com temperaturas mais moderadas, provocando inevitáveis alterações no meio ambiente.
  • entre 10.000 e 5.000 a.C., o efeito do degelo reclamou das zonas costeiras e ribeirinhas cerca de 100 metros com a subida do nível do mar – inundação alegorizada como “Dilúvio” (aludida na Bíblia, Corão, Escritos de Tribos sul-americanas, Indígenas australianos).
  • 6.000 a.C., o progressivo aumento do nível do mar reconfigurou a geografia litosférica, com o aparecimento dos Grandes Lagos na América do Norte, o mar Báltico no norte da Europa, Japão, Indonésia e Austrália metamorfosearam-se em ilhas, e uma região de savana transformou-se em deserto, o Sahara.

Não obstante a evolução no conhecimento e tecnologia, eventos climático-meteorológicos extremos continuarão a ocorrer, porque o planeta tem capacidade regenerativa própria. A Meteorologia tem a função proactiva de alertar para minimizar os efeitos decorrentes de eventos extremos, cabendo ao livre-arbítrio reduzir o seu grau de suscetibilidade. Nem a meteorologia, nem qualquer outra ciência, poderão impedir as normais e cíclicas alterações que o clima do planeta tem de expurgar. Ao parasita humano, cabe a missão de respeitar o meio em que vive, adaptando-se a ele, mitigando os efeitos da sua vivência. Este deve ser o seu combate!

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