Terramotos e tsunamis em Portugal, estamos em zona de risco?

A cada 5 de novembro celebra-se internacionalmente o Dia Mundial da Consciencialização sobre o Tsunami. Para o nosso país, este é um tema sempre atual, pois a nossa extensa e densamente povoada linha de costa apresenta um elevado risco para este tipo de acontecimentos. Explicamos tudo aqui!

João Tomás João Tomás 05 Nov. 2019 - 21:33 UTC
Ilustração de uma onda gigante a chegar à linha de costa.

Estes dois fenómenos, os terramotos e os tsunamis, estão associados. De forma geral, um tsunami é consequência de um terramoto, especificamente quando o epicentro desse terramoto se localiza em qualquer ponto submerso (mar ou oceano). Um terramoto ou sismo consiste na libertação súbita de energia acumulada, por rutura dos materiais da crosta terrestre. Um tsunami é um conjunto de ondas gigantes que se formam no oceano, decorrentes de movimentos de placas tectónicas ou abalos sísmicos de profundidade.

Desde 2015, ano em que a Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu este dia como o Dia Mundial da Consciencialização sobre o Tsunami, que a problemática tem sido abordada por vários especialistas, portugueses e europeus. No caso português, é necessário alertar a população para o potencial destrutivo e devastador tanto dos eventos sísmicos como da ocorrência de tsunamis. A população deve conhecer e adotar medidas de autoproteção que minimizem os impactos dos terramotos. O conhecimento do perigo sísmico na área de residência e no local de trabalho, bem como o conhecimento de planos de emergência pode ser sinónimo de vidas salvas.

Os tsunamis são eventos mais raros, pois estão geralmente associados a eventos sísmicos de grande intensidade e magnitude. No entanto, Portugal continental e principalmente as ilhas do arquipélago dos Açores encontram-se bastante vulneráveis. O arquipélago situa-se no limite da placa americana com a placa euro-asiática, uma área bastante ativa em termos sísmicos.

Um risco histórico que se perpetua

Ao longo da história, o nosso país teve vários episódios de atividade sísmica conjugada com tsunamis. O evento mais representativo deu-se no dia 1 de novembro de 1755, quando um sismo que se estima ter sido de magnitude 9 na escala de Richter, abalou todo o território continental.

A capital Lisboa foi atingida por um conjunto de ondas gigantes, de 5 a 6 metros de altura, provocando milhares de mortos. Num passado mais recente, já no séc. XX, Portugal foi abalado por dois sismos de elevada magnitude: em 1969 afetou mais a área metropolitana de Lisboa e em 1980 afetou o arquipélago dos Açores, levando à morte de cerca de 80 pessoas.

No início do dia de hoje, um sismo de magnitude 4,4 na Escala de Richter foi sentido na Ilha do Faial. Com epicentro no mar a cerca de 29 quilómetros a Oeste da freguesia de Capelo, foi sentido com uma intensidade IV/V na escala de Mercalli Modificada. Precisamente no dia em que devemos ter consciência dos riscos inerentes à ocorrência de Tsunamis, devemos prestar igual atenção à atividade sísmica.

Tendo em conta o historial de eventos registados no nosso país, as autoridades estão a começar a compreender os potenciais riscos. Com objetivo de mitigar o risco de Tsunami, foi instalada na vila de Cascais uma sirene que alerta a população caso se verifiquem anomalias no nível das águas do mar. Ainda durante o dia de hoje foi efetuado no Seixal um exercício europeu de proteção civil com o objetivo de testar a capacidade de resposta a desastres naturais, no qual se incluem os sismos e os tsunamis. São claramente, dois exemplos de boas práticas de mitigação de riscos, sempre com objetivo de minimizar perdas materiais e de vidas humanas.

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