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COP27 no Egipto: mais ação a favor dos países em desenvolvimento

Mais de 90 Chefes de Estado estiveram reunidos nos dias 7 e 8, em Sharm el-Sheikh (Egito), na COP27, onde enfrentaram apelos para aprofundar os cortes de emissões e apoiar financeiramente os países em desenvolvimento. Saiba mais aqui!

COP27
Esta Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas irá durar até dia 18 de novembro.

Um dos principais objetivos da COP27 é acelerar a ação climática global através da redução das emissões, da intensificação dos esforços de adaptação e do aumento dos fluxos de financiamento adequados.

Já foi estabelecido que a "transição justa" continua a ser uma prioridade para os países em desenvolvimento, de todo o mundo.

Principais objetivos da COP27

A 27ª Cimeira do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP27, começou no dia 6 de novembro e terminará a 18 de novembro de 2022, em Sharm El Sheikh, no Egito. Está a ser dirigida pelo ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros, Sameh Shoukry, e contou com a presença de mais de 90 Chefes de Estado e representantes de 190 países na World Leaders Summit, que se realizou nos dias 7 e 8.

Os principais pilares desta conferência são:

  • Mitigação: a necessidade de união para limitar o aquecimento global a menos de 2 ºC e trabalhar arduamente para manter vivo o objetivo de 1,5 ºC. Tudo isto exige ações ousadas e imediatas e o aumento da ambição de todas as partes, em particular daqueles que estão em posição de o fazer e daqueles que podem e lideram através do exemplo. A COP27 será um momento para os países cumprirem as suas promessas e compromissos, de acordo com os objetivos do Acordo de Paris.
  • Adaptação: os eventos climáticos extremos como ondas de calor, inundações e incêndios florestais tornaram-se uma realidade quotidiana de vários países. Líderes mundiais, governos e outros representantes, reiteraram o seu compromisso na COP26 para uma ação global reforçada. O Objetivo Global de Adaptação foi um dos resultados significativos da COP26, em Glasgow.

É imperativo assegurar que a COP27 faça um progresso significativo e pressione todas as partes a demonstrar a vontade política necessária, no sentido de aumentar a resiliência e ajudar as comunidades mais vulneráveis. A COP27 deverá testemunhar uma agenda global reforçada de ação sobre adaptação, confirmando o que foi acordado em Paris e frisado no pacto de Glasgow, no que respeita a colocar a adaptação na vanguarda da ação global.

  • Financiamento: Na COP27 são esperados progressos significativos na questão do financiamento climático enquanto se avança em todos os pontos da agenda. A importância da adequação e previsibilidade do financiamento climático é fundamental para alcançar os objetivos do Acordo de Paris. Para isso, é necessário aumentar a transparência dos fluxos financeiros e facilitar o acesso para satisfazer as necessidades dos países em desenvolvimento, especialmente em África, países pouco desenvolvidos e pequenas ilhas em desenvolvimento.

Os compromissos e promessas existentes requerem acompanhamento, com o propósito de proporcionar clareza sobre em que ponto estamos, e o que mais precisa de ser feito. Os progressos na entrega dos 100 mil milhões de dólares anuais criarão mais confiança entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, mostrando que os compromissos estão a ser cumpridos.

    • Colaboração: O reforço e o facilitismo nas negociações é da maior importância para que a Presidência da COP27 alcance resultados tangíveis de uma forma equilibrada. O avanço da parceria e colaboração ajudará a concretizar estes quatro objetivos e garantirá que o mundo está a adotar um modelo económico mais resistente e sustentável, onde os seres humanos estão no centro das conversações sobre o clima.

    As negociações da ONU são baseadas no consenso, e chegar a acordo exigirá a participação inclusiva e ativa de todas as partes interessadas. A organização desta conferência afirma que está a trabalhar incansavelmente para assegurar uma representação e participação adequadas, de todas as partes interessadas relevantes, na COP27, especialmente comunidades vulneráveis e representantes de países da região africana que são cada vez mais afetados pelos impactos das alterações climáticas.

    Governos, Setor Privado e Sociedade Civil precisam de trabalhar juntos, para transformar a forma como interagimos com o planeta Terra.

    É preciso transformar o resultado da conferência de Glasgow em ação, e começar com a sua implementação. Os governos, o setor privado e a sociedade civil precisam de trabalhar, em conjunto, para transformar a forma como interagimos com o nosso planeta. É necessário, ainda, introduzir novas soluções e inovações que ajudem a aliviar os impactos adversos das alterações climáticas. É preciso, também, replicar e atualizar rapidamente todas as outras soluções amigas do clima para a sua implementação nos países em desenvolvimento.

    O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, frisou a importância de um financiamento inclusivo

    António Costa afirmou, em setembro, num discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, que Portugal é um país que sofre com a erosão costeira, o aumento das secas e os incêndios florestais.

    "Esperamos que a COP27, em Sharm el-Sheikh, possa ser um momento que nos conduza a uma transição inclusiva, assegurando uma repartição mais equilibrada do financiamento climático entre a mitigação e a adaptação”, declarou António Costa.

    Frisou, ainda, a importância de um financiamento climático mais equilibrado, de forma a colmatar as falhas nos países em desenvolvimento.