Previsão atualizada do modelo europeu para novembro em Portugal: “é surpreendente tanta chuva"
Novembro arrancou com chuva de norte a sul de Portugal continental e alguma queda de neve na Serra da Estrela. O que esperar do tempo para o resto do mês? Descubra o que revela o modelo Europeu, que acaba de atualizar a sua previsão mensal!

O mês de novembro arrancou com uma sucessão de frentes que deixaram chuva de norte a sul de Portugal continental, embora com maior abundância nas Regiões Norte, Centro e Grande Lisboa.
A situação mais significativa ocorreu ontem, quarta-feira (5), quando uma frente fria associada a uma depressão muito cavada atravessou a geografia do Continente de lés a lés, distribuindo aguaceiros fortes, rajadas de vento intensas, uma enorme atividade elétrica (mais de 30 mil raios) e produzindo ainda um temporal marítimo considerável. Além disto, os primeiros flocos de neve caíram nos pontos mais elevados da Serra da Estrela.
Como é bem percetível, novembro teve um início muito frenético no que diz respeito ao estado do tempo. Irão as próximas semanas manter esta tendência? Será que o frio intenso e a neve vão chegar?
O que esperar das temperaturas em novembro? O modelo europeu parece não ter dúvidas
O modelo Europeu acaba de atualizar a sua previsão para o resto de novembro e adianta algumas novidades. No que concerne às temperaturas, depois dos altos e baixos desta semana, na próxima semana (dias 10 a 16) poderão ser 1 a 3 ºC superiores à média desta época do ano em quase todo o território de Portugal continental. No Barlavento Algarvio e no arquipélago da Madeira as anomalias térmicas positivas adivinham-se um pouco mais moderadas. Nos Açores, pelo contrário, vislumbra-se um cenário meteorológico mais fresco do que o normal, com anomalias de -1 ºC.

Para a segunda quinzena, os mapas não revelam uma mudança radical, o que significa que as anomalias térmicas positivas deverão manter-se. Neste caso, há perspetiva de que as temperaturas possam registar entre 1 e 3 ºC acima dos valores médios de referência, sendo que nos Açores e na Madeira as anomalias de calor seriam mais suaves: até 1 ºC superiores à média. Deste modo, tudo indica que é bastante provável que o mês de novembro acabe por ser ameno em praticamente todo o país, embora não se descarte a ocorrência de um ou outro episódio pontual de frio.
Por enquanto, não se vislumbra a chegada de massas de ar frio à nossa latitude, um panorama que se tornou frequente nos últimos anos no mês de novembro. A presença de uma forte circulação atlântica impede a chegada de massas de ar polar a Portugal, mas como já anteriormente explicado aqui na Meteored, é importante ter em conta que nesta estação do ano as previsões podem alterar-se significativamente de um dia para o outro devido à enorme dinâmica atmosférica nos meses outonais, que acrescenta um maior fator de imprevisibilidade e uma maior variabilidade de estados do tempo.
Prevê-se a ocorrência de chuva abundante para o resto de novembro?
O que podemos esperar da chuva e da queda de neve? A análise a estes elementos climáticos é complexa, dado que novembro é um dos meses mais chuvosos do ano em grande parte da geografia portuguesa.
Nesta altura do ano existe a possibilidade de ocorrência de chuvas fortes associadas a depressões atlânticas e às suas superfícies ou ondulações frontais, bem como de poderem ser geradas por gotas frias, o que torna a sua análise ou previsão a médio e longo prazo muito mais complexa. Apesar de tudo, no nosso país, a probabilidade de chuvas mais fortes ocorrerem por causa de depressões atlânticas é maior.

De acordo com o nosso modelo de confiança (ECMWF), a chuva na próxima semana (10-16 nov) voltará a ser muito abundante, com anomalias positivas de +30 a +60 mm de norte a sul de Portugal continental e de +10 a +30 mm no arquipélago da Madeira.
A aposta nestes valores sugere, com uma elevada probabilidade, que a circulação de frentes e depressões atlânticas vai manter-se, pelo que uma eventual queda de neve ficaria restrita somente aos pontos mais elevados da Serra da Estrela devido a este ambiente ameno. Pelo contrário, no arquipélago dos Açores espera-se uma semana mais seca do que o habitual para esta altura do ano.
Para a segunda quinzena de novembro, de momento, não se vislumbra uma tendência muito definida quanto à evolução da precipitação em Portugal. Não há sinais de uma situação anticiclónica particularmente persistente, pelo que, com o jato polar a apresentar algumas ondulações, poderemos estar perante um estado do tempo mais variável, marcado pela alternância de situações de instabilidade (dias de chuva) com situações de estabilidade.
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