Perito Alfredo Graça avança a previsão para o outono de 2025 em Portugal: “condicionados pelo jato polar e seus efeitos"

Estamos à beira do outono climatológico e o modelo de referência da Meteored acaba de atualizar as tendências para os próximos meses em Portugal: são esperadas chuvas fortes ou o verão vai durar mais tempo do que o previsto? Eis a previsão completa!

O outono é uma estação de transição cuja enorme variabilidade de estados do tempo é uma dinâmica atmosférica comum. Deste modo, a precipitação gerada pode ser do tipo convectivo (gotas frias ou depressões isoladas em altitude) ou do tipo frontal (frentes e depressões atlânticas).

No próximo domingo, termina um verão particularmente adverso em Portugal por várias razões: recordes de calor em muitas cidades, uma vaga catastrófica de incêndios no Norte e Centro do país e uma das mais longas ondas de calor desde que há registos.

Setembro, outubro e novembro são os meses que integram o outono climatológico, semanas em que as temperaturas descem e a precipitação se torna mais frequente. Além disso, a noite começa a ganhar terreno em relação ao dia.

E na próxima segunda-feira, 1 de setembro, começa o outono. Em Meteorologia e Climatologia, as estações são agrupadas em trimestres com base nas médias plasmadas nos dados de temperatura e precipitação, e o outono abrange os meses de setembro, outubro e novembro. Não se trata de uma novidade, pois esta forma de classificar as estações é utilizada desde a segunda metade do século XIX, como se pode ver nas primeiras séries de dados meteorológicos.

Como costumam ser os outonos em Portugal?

O outono é o período de transição entre o verão e o inverno, embora nos últimos anos esteja a tornar-se cada vez mais diluído. As temperaturas são mais baixas, arrefece bastante durante as noites, que são cada vez mais longas, com geadas cada vez mais frequentes nas zonas de montanha. Há também pequenos episódios de temperaturas elevadas durante o dia, conhecidos como veranicos (ou verõezinhos).

Em muitas ocasiões o outono é um prolongamento do verão e podem surgir alguns episódios de temperaturas elevadas durante o período diurno.

Em termos de precipitação, é geralmente a segunda estação mais chuvosa do ano em Portugal continental, especialmente nas Regiões Norte e Centro. No início, costuma prevalecer a precipitação do tipo convectivo, associadas a depressões isoladas em altitude (ou gotas frias) e vales depressionários, que dão lugar à precipitação frontal no meio e no final da estação. No final do outono, também começam a surgir os primeiros flocos de neve da temporada fria nas zonas montanhosas de maior altitude do nosso país.

Mapas são muito claros em relação às temperaturas deste outono

Antes de passarmos à análise das tendências previstas para este outono, convém sublinhar que aqui serão analisadas aproximações muito gerais, pelo que a fiabilidade não é normalmente elevada, especialmente no que diz respeito à precipitação. No que concerne às temperaturas para o próximo outono, os mapas são claros: é muito provável que se situem acima da média em Portugal.

O ECMWF, a nossa instituição de referência, prevê que as temperaturas no próximo trimestre sejam, muito provavelmente, superiores à média em Portugal, e em todo o continente europeu.

Há um pouco mais de incerteza na Área Metropolitana de Lisboa, em grande parte do Alentejo e no Algarve, mas para além destas últimas parece muito provável que em toda a Europa os valores térmicos sejam superiores à média do trimestre setembro-outubro. O cenário mais provável é que as temperaturas em Portugal possam ser até 1 ºC superiores à média trimestral, e ocasionalmente superiores, especialmente nos Açores e na Madeira.

Teremos por diante meses muito chuvosos? A corrente de jato polar é que irá decidir

A previsão complica-se substancialmente quando se trata de analisar as chuvas de outono, que são muito caóticas e podem ter diferentes origens. A par do inverno, é uma das estações de maior risco de chuvas torrenciais, devido à potencial geração de gotas frias e/ou de depressões atlânticas, potencialmente 'munidas' por restos de ex-furacões ou depressões extratropicais intensas.

De momento, os mapas não mostram uma tendência particularmente definida para Portugal no próximo trimestre. Vislumbra-se a possibilidade de uma ligeira anomalia de tempo seco de norte a sul do Continente no mês de setembro e uma pequena anomalia de precipitação ligeiramente superior à média na Região Autónoma dos Açores no mês de outubro, mas que, de momento, não é significativa. Não obstante, um único episódio de chuva torrencial pode virar o balanço pluviométrico do outono e do ano de “pernas para o ar” numa questão de horas.

Os mapas mostram alguns sinais de que se podem formar alguns anticiclones de bloqueio em latitudes relativamente elevadas, sintoma de uma corrente de jato polar sinuosa, o que, de resto, é comum no outono. É por isso que o tempo tende a ser tão variável nas latitudes médias.

As primeiras previsões apontam para uma tendência de tempo seco ou bastante seco em quase toda a geografia de Portugal continental, mas, por enquanto, a fiabilidade é bastante baixa.

Teremos de ver se Portugal se mantém na maior parte do outono sob ramos ascendentes ou descendentes, pois isso pode fazer a diferença entre um outono bastante instável devido a frequentes frentes, depressões, vales depressionários e gotas frias, ou o contrário. Nas próximas semanas iremos atualizar as tendências aqui na Meteored.