Solstício de verão: a geometria de uma relação perfeita

Antes da formulação de conceitos científicos e religiosos, já o Homem se fascinava com a relação dinâmica entre Sol e Terra, estabelecendo celebrações e erguendo monumentos para melhor perceber essa relação.

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 20 Jun. 2019 - 17:46 UTC
Solstício: termo explicado pela expressão em latim sol + sistere, que significa sol que não se mexe.

A lei da gravitação determina a dinâmica ininterrupta que rege os corpos que compõem o Universo, e no caso da Terra, atuam, entre outros, o movimento de rotação, o giro que o planeta dá em torno do próprio eixo, demorando cerca de 24 horas a executar esse movimento, e que permite aos terráqueos experienciar o dia e a noite.

Concomitantemente, demorando cerca de 365 dias, à velocidade média de cerca de 30 km/s, numa extensa via eclíptica com cerca de 930.900.000 km, o planeta percorre uma viagem em torno do Sol - movimento de translação - propiciando a variação sazonal climática, uma vez que a trajectória eclíptica e eixo vertical inclinado do planeta em relação ao plano do sistema solar, fazem com que a luz do sol atinja a superfície da Terra em ângulos diferentes.

Estamos em junho, encontramo-nos por isso, próximos do ponto mais longínquo do Sol, na viagem que anualmente percorremos anualmente em seu redor, e que invariavelmente nos distancia nuns curtos 152.500.000 km, o que acontecerá já no dia 4 de julho, quando passarmos, sem parar, pelo ponto da órbita Afélio. Mas antes disso, no dia 21 deste mês, os habitantes do Hemisfério Norte do planeta Terra, iniciarão o primeiro dia de verão, terão o dia mais longo e a noite mais curta do ano.

No mesmo dia, mas no Hemisfério Sul, começará o inverno, onde acontecerá o dia mais curto e a noite mais longa do ano. Contudo, a linha do equador não é afectada pelas mudanças de posicionamento do planeta, sendo a única região onde a duração dos dias tem sempre 12 horas de sol e 12 horas de escuridão. Já nos pólos, a 21 de junho, o Ártico experienciará um dia com 24 horas de luz, e o Antártico descansará numa longa noite com 24 horas.

Se longe do Sol, como ficará mais calor?

A 21 de junho, no Hemisfério Norte começa o verão, uma vez que a Terra e o Sol estarão numa posição em que os raios solares incidirão perpendicularmente no Trópico de Câncer, o que deixa a energia mais concentrada, e com o Pólo Norte inclinado 23⁰26’ na direção do Sol em relação ao círculo de iluminação, serão proporcionados dias mais longos, com mais luz solar.

Momento em que o Sol durante o seu movimento aparente, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador.

Não significa contudo, imediatamente dias mais quentes, uma vez que os oceanos e a atmosfera terrestre atuam como dissipadores e distribuidores de calor, absorvendo a luz solar e irradiando-a novamente no decurso do tempo, similar ao que acontece quando ligamos um forno para cozinhar um bolo, leva algum tempo a aquecer, e depois de desligado, retém por algum tempo o calor que foi armazenando. Daí, os próximos três meses serem, usualmente, os que registam maior número de dias com temperaturas mais elevadas.

Solstício, um momento mágico?

No Hemisfério Norte, o solstício de verão, vulgo midsummer, é celebrado em diversos locais, especialmente nos países do norte da Europa, com particular destaque em Penzance, na região da Cornualha, e Stonehenge, no Reino Unido, aqui por ser o dia em que o Sol nasce com uma assombrosa exatidão sobre a pedra principal do insólito monumento neolítico.

Efectivamente, a história da humanidade é construída pela procura de entendimento dos fenómenos naturais que constituem o planeta Terra, tendo desde a antiguidade pululado lendas e misticismos a adornar o desconhecido ou pouco ententido. Não obstante, desde sempre foi percebida a imprescindível importância do calor e da luz oferecida pelo Sol, quer para a agricultura, quer até mesmo para o estado psico-emocional humano, razão pela qual os povos antigos acreditavam no fluir de energias especiais durante os solstícios, associado ao florir dos campos e colheitas.

E assim, em junho, abundavam os cultos à fertilidade, e as celebrações como reflexo cultural do período de maior vivacidade do ano. Povos como os Maias, Celtas, Egípcios e Romanos criaram rituais pagãos de homenagem à natureza, auspiciando prosperidade para os meses seguintes, com dias de festa, dança, música, alegria e abundância de comida, até que, em meados do século X, na Europa, a igreja decidiu cristianizar as celebrações, instituindo dias de homenagem aos Santos Populares a 13, 24 e 29, respetivamente, Santo António, São João e São Pedro, difundindo a conotação festiva da época.

A importância do Sol é indubitável! Data de 1500 a.C. o mais antigo relógio de sol, criado pelos Egípcios, um mecanismo para apurar a hora do dia, dimensionando à perceção de todos, a importância da luz no decorrer da vida. Refira-se que, desde 1990, com o solstício de verão, é celebrado o dia do relógio do sol, uma demarcada alusão ao astro-rei, cuja precisa localização, possibilita aqui, a existência de vida.

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