A Pequena Idade do Gelo na Europa

Em 1350, o clima europeu deteriorou-se e entrou na chamada Pequena Idade do Gelo, na qual se manteve até à segunda metade de século XIX, aproximadamente até ao ano de 1850, tendo deixado marcas um pouco por todo o hemisfério norte, especialmente no norte da Europa. Saiba mais aqui!

Joana Campos Joana Campos 22 Out. 2019 - 10:17 UTC
Curso de água parcialmente congelado devido às baixas temperaturas.

Durante os cinco séculos em que este período frio imperou, as temperaturas baixas não foram sempre constantes. Houve dois períodos especialmente frios, um no início, no século XIV, e outro no final, na primeira metade do século XIX. Estes dados baseiam-se no estudo de alta resolução temporal no gelo da Gronelândia e em sedimentos foraminíferos que podem ser encontrados nas Bermudas e no litoral da Mauritânia.

Durante esta época, desapareceram as vinhas de Inglaterra e os cereais da Islândia que tinham sido cultivados no Período Quente Medieval. Antes da Pequena Idade do Gelo, houve um período que decorreu entre o ano 700 até ao ano de 1300. Este foi no geral, mais quente do que o período atual, sendo que atingiu o seu máximo em 1100.

Com as temperaturas baixas que se faziam sentir na Pequena Idade do Gelo, a congelação dos rios em todo o norte europeu era frequente, sendo que, em Londres, chegaram a ser organizadas feiras e mercados sobre as águas do rio Tamisa. Também no sul da Europa, houve um avanço dos glaciares dos Alpes, que cobriram os vales habitados da região. Na Escandinávia os avanços dos respetivos glaciares ocuparam também muitas áreas de cultivo.

Apesar de tudo isto, a Pequena Idade do Gelo não foi uniformemente composta por ciclos frios, como já tinha sido referido acima. Os episódios de clima severo eram mais frequentes, com invernos agudos, mas teriam sido intercalados com intervalos de clima semelhante ao atual.

Manchas solares e Mínimo de Maunder

As alterações climáticas do último milénio parecem estar relacionadas com a variabilidade da atividade solar. Desde 1610 que se têm observado, na Europa, o aparecimento e desaparecimento de manchas solares, que podem ser vistas facilmente por um telescópio.

O desaparecimento destas pode dar origem a períodos frios, como aconteceu no Mínimo de Maunder (entre 1645 e 1715), em que as manchas quase desapareceram do sol, o que resultou em invernos ainda mais rigorosos como o de 1694-1695, em que vários autores afirmaram que o rio Tamisa esteve congelado por diversas semanas.

As manchas solares são zonas escuras e relativamente mais frias do que a restante superfície solar. Estas emitem pouca energia, porém, as áreas circundantes às mesmas emitem mais pelo que quantas mais manchas solares existirem na superfície do Sol, mais energia solar este vai emanar. Estas manchas podem ter diversos tamanhos e durar entre dias a meses, dependendo do seu tamanho. Quanto maiores forem, mais tempo duram. Desde meados do século XIX que se sabe que o número de manchas solares varia, em média, em ciclos de 11 anos.

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