Fez-se história: duas mulheres caminham no Espaço pela primeira vez

Duas astronautas protagonizaram juntas a primeira caminhada espacial apenas feita por mulheres. A sua função exigiu horas de trabalho sincronizado entre ambas. Confira aqui quem são e o que fizeram.

Alfredo Graça Alfredo Graça 21 Out. 2019 - 20:25 UTC
À Esquerda: Christina Koch, à direita: Jessica Meir. Astronautas da primeira caminhada espacial exclusivamente feminina #AllWomanSpacewalk. Fonte: NASA

A missão das astronautas americanas Christina Koch e Jessica Meir era somente reparar um controlador de energia na parte exterior da Estação Espacial Internacional (ISS). A caminhada espacial teve início oficialmente na última sexta-feira, dia 18 às 12h38 (hora de Portugal continental) para substituir uma unidade de carga e descarga de bateria (BCDU), que parou de funcionar no fim de semana passado.

Depois de 7 horas e 17 minutos de trabaho a mais de 400 quilómetros da Terra, conseguiram completar de forma bem-sucedida a sua missão. Durante a caminhada e trabalho espacial, as astronautas destacadas receberam uma video-chamada surpreendente, era nada mais, nada menos que o presidente Donald Trump, que entre felicitações lhes disse: “vocês são mulheres muito corajosas e brilhantes".

Ninguém quis perder este evento histórico, milhares de pessoas seguiam em expectativa a partir da Terra a transmissão ao vivo da NASA, graças às câmaras que elas levavam nos seus capacetes. Jessica vestia o traje espacial liso (capacete com o número 11), enquanto que Christina levava o traje com listas vermelhas (capacete com o número 18).

O tema dos trajes deu realmente que falar há alguns meses atrás, quando a NASA tinha agendada uma caminhada espacial exclusivamente para mulheres que não se concretizou. Teve de ser cancelada porque não estavam disponíveis os trajes com tamanho adequado às astronautas.

Koch e Meir têm um histórico comum: ambas se juntaram à NASA em 2013, num ano em que metade da turma era feminina, sendo que Koch também vai concretizar outro recorde, ao tornar-se na primeira mulher a fazer uma missão de 300 dias.

Porquê elas?

Há uns dias atrás Koch, juntamente com outra colega da Estação Espacial Internacional, instalaram três novas baterias de lítio. Duas semanas antes detetaram que uma das válvulas que regula a entrada e saída de eletricidade não acendia corretamente.

A NASA informou que os ocupantes da EEI não corriam perigo, e apesar desta falha tampouco foram afetadas as experiências científicas nem o laboratório espacial. Ainda assim, era imperativa a substituição da válvula e a tarefa de reparação podia ser totalmente levada a cabo por Koch e Meir.

A Agência Espacial assinalou que a tripulação feminina encarregada do trabalho não foi deliberada, deve-se apenas ao crescente número de mulheres astronautas e calhou simplesmente que trabalhassem juntas. As atribuições das tarefas executam-se tendo em conta quem está melhor preparado para realizá-las nesse momento, dado que os passeios espaciais não são fáceis e exigem um grande desafio físico e psicológico. Pode acontecer a qualquer integrante da tripulação e, pela primeira vez na história ocorreu que duas mulheres sairiam juntas e sozinhas fora da EEI.

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