Um refúgio no meio de nenhures para estudar as alterações climáticas

O projeto Ariston Comfort Challenge desafia as condições extremas da Gronelândia para construir uma casa de madeira modular altamente eficiente em termos energéticos, que permite a um grupo de investigadores recolher amostras também no inverno.

Alfredo Graça Alfredo Graça 12 Dez. 2018 - 04:00 UTC
O refúgio modular altamente eficiente em termos energéticos e simultaneamente respeitador do meio ambiente permite aos cientistas trabalhar mesmo nos meses mais frios.

Na ilha de Disko, na costa oeste da Groenlândia, uma equipa de cientistas da Universidade de Copenhaga trabalha na recolha e análise de amostras para investigação sobre alterações climáticas. No entanto, o seu trabalho foi impossível durante a época invernal, quando as temperaturas baixaram para -50 °C.

Com o objetivo de que estes investigadores possam recolher amostras no solo, mesmo nos meses mais frios, as empresas Ariston e LEAPfactory uniram forças para construir um refúgio modular que respeite o meio ambiente e seja altamente eficiente ao mesmo tempo. A Ariston é uma empresa especializada em conforto térmico eficiente, enquanto a LEAPfactory se dedica à construção de refúgios ecológicos.

"O objetivo de estabelecer uma casa num lugar remoto como a Ilha de Disko supõe apoiar investigações científicas na região polar, porque permitirá descobertas que não seriam possíveis sem esta infraestrutura. Realizamos medições ao longo do ano, num ambiente muito frio e ventoso. Nessas condições, era necessário ter uma casa onde nos pudéssemos abrigar entre uma medição e outra", afirma o professor dinamarquês Morten Rasch.

O projeto batizado com o nome de Ariston Comfort Challenge, envolveu mais de cem pessoas, ainda que só tenham sido três os instaladores que executaram o trabalho na ilha: Yuanshuo 'Andy' Huang, (33 anos, China); William Randaccio (43 anos, italiano) e Oleg Belly (28 anos, Rússia). O trio de instaladores foi escolhido através de um processo de seleção global, ao qual se apresentaram voluntariamente. "Para trabalhar na zona, contaram com a ajuda de um grupo de residentes locais, cujos conselhos sobre roupas ou transporte foram imprescindíveis para superar as inclemências meteorológicas", explica Pilar Comes, engenheira da Ariston.

A construção do refúgio é capaz de suportar as condições climáticas mais extremas, em ambientes gelados e inóspitos como o da ilha de Disko, na Gronelândia.

Para poderem deslocar os materiais, recorreram a um barco quebra-gelo e avionetas. O refúgio conta com uma sala de estar, um dormitório, uma casa de banho e duas salas técnicas, com capacidade para seis pessoas. Os materiais utilizados foram selecionados devido ao seu desempenho térmico, estrutural e estético. Além disso, estes materiais são renováveis e recicláveis, higiénicos e duradouros, com um foco especial no uso de madeira certificada e matérias-primas de origem controlada.

Do ponto de vista energético, trata-se de uma construção capaz de suportar as condições climáticas mais extremas e maximizar a eficiência energética tanto no processo de produção como nas operações diárias. Possui uma caldeira de condensação que funciona com gás propano, já que é um gás que pode ser transportado num depósito e é o que funciona melhor em temperaturas extremamente baixas.

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