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As alterações climáticas afectam a existência humana?

A interferência antrópica no meio ambiente, e a consequente alteração do clima, apesar das controvérsias, começa a granjear consenso. Evidente é a determinante influência que o estado do tempo tem na sobrevivência de todas as espécies, inclusive a humana!

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 11 Dez. 2018 - 10:12 UTC
Das consequências das alterações climáticas, o chamado aquecimento global, será aquele que causa maior impacte.

Efectivamente, o aumento de temperatura, e o desregulamento do Efeito de Estufa implica com consequências no equilíbrio do delicado sistema climático do planeta. Recuando algum tempo na escala temporal, poderá eventualmente alvitrar-se que foram os primeiros agricultores que começaram a alterar a quantidade dos gases que caracterizam o Efeito de Estufa, muito antes dos efeitos imputados ao clima com a Revolução Industrial.

O caricato desta preposição reside no facto de, se não tivesse ocorrido a sedentarização da espécie humana, e com isso, a inerente alteração das paisagens através do cultivo dos solos e domesticação e criação de animais, as temperaturas, em algumas regiões da América do Norte e Europa poderiam ser inferiores às actuais, em cerca de 4⁰C! O que seria suficiente para inviabilizar o desenvolvimento humano (história, agricultura) nestas áreas do planeta, pelo menos do modo como hoje as conhecemos!

Isto é, aliada a toda uma panóplia de actividades que lhe foram sendo subjacentes, a interferência do Homem no mecanismo climático-ambiental foi inevitável para a “evolução” da espécie humana. Alterações nos padrões climáticos sempre estiveram, e continuarão a estar dependentes de factores internos e externos ao planeta e à sua atmosfera.

É possível correlacionar desaparecimentos civilizacionais, com alterações do clima?

Actualmente sim, pois a espetacularidade da ciência faculta a possibilidade em conhecer o passado para perceber o presente e, esperançosamente, alvitrar o futuro! Há milhares de anos atrás, alterações térmicas ocorridas entre os hemisférios, provocaram uma diminuição nos padrões da precipitação e isso influiu directamente na agricultura, levando à ocorrência de movimentos migratórios.

Análises a espécies vegetais com os isótopos de carbono, demonstraram que o local onde actualmente existem lagos, em Lárnaca, foi outrora um porto, centro das rotas comerciais, mas foi secando gradualmente, durante um inóspito período de seca e frio de cerca de 300 anos, até se tornar um lago salgado. Por consequência, as plantações morreram, o que gerou fome, e invasões de povos vizinhos, levando ao colapso da civilização que habitava o Chipre há cerca de 3000 anos.

Foram muitas as prósperas civilizações que ao longo da história da Humanidade se extinguiram, criando um mistério em torno do seu desaparecimento.

De igual modo, a intensiva e descontrolada desflorestação para construção de barcos e para moverem por extensas distâncias as gigantescas estátuas que caracterizam a ilha da Páscoa - Rapa Nui -, levou à progressiva morte dos solos, pois uma vez despido de árvores e da segurança das suas poderosas raízes, foram erodindo, e deixaram de ter utilidade para colmatar a fome, que foi crescendo e levou à aniquilação da espécie, inclusive por antropofagia.

O mesmo aconteceu, com a proeminente civilização Maia. Não evaporaram, mas será importante destacar que a planície do Yucatán é parca em rios à superfície (por ser uma imensa placa calcária, abundam os rios subterrâneos, mas as crenças Maias impediam o seu uso “por serem a entrada para o submundo, o inferno”), e para ultrapassar essa condicionante, hábeis arquitectos e matemáticos, os Maias construíram verdadeiras obras de engenharia, reservatórios que enchiam com a água das chuvas e proviam a civilização das suas necessidades.

Exaustivas investigações académicas demonstram que, a precipitação média anual diminuiu entre 40 a 54%, ao longo de várias décadas de seca, com períodos extremos de cerca de 70%, o que foi absolutamente devastador para monoculturas agrícolas como o milho. Adicionando a este dramático cenário, a crescente escassez de água potável, e cerca de 13 milhões de seres humanos cientes de um perigo de fome e sede eminentes, estavam conjugadas condições para o despoletar de conflitos, invasões, presumindo-se que os mais resistentes tenham dispersado, abandonando os centros populacionais.

Será que a história efectivamente se repete?

De acordo com estimativas (K 1,33%/ano) das Nações Unidas já em 2023, 8.2 biliões de seres humanos habitarão este planeta. A cruel pergunta que grita por resposta: Água potável para quantos?

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