O fumo dos incêndios na Austrália chegou à Argentina

Os incêndios na Austrália são os piores da sua história. A quantidade de fumo gerada foi grande o suficiente para dar a volta ao mundo e chegar à América do Sul. Contamos-lhe tudo aqui!

Enzo Campetella Enzo Campetella Alfredo Graça 19 Nov. 2019 - 21:44 UTC
Incendios Australia
A coluna de fumo gerada pelos incêndios na Austrália são claramente observáveis do espaço. A imagem pertence ao satélite Suomi NPP do passado 8 de novembro.

Nova Gales do Sul, no sudeste da Austrália, está a viver os piores incêndios da sua história desde os primeiros dias deste mês de novembro. Uma conjugação de parâmetros meteorológicos deram lugar a um verdadeiro desastre: altas temperaturas com baixíssimo conteúdo de humidade no ambiente, somado ao vento intenso. O cocktail perfeito para o desenvolvimento de incêndios é assim servido numa região da Austrália que geralmente é afetada por este tipo de acidentes, embora os de este ano sejam extraordinários.

Segundo o que foi noticiado pela CNN em Espanhol, a quantidade de mortos subiu para quatro no final da semana passada. Mais de 140 focos de incêndio mantiveram-se ativos na costa sudeste australiana. De acordo com o El País, a quantidade de hectares afetados superava um milhão, e pelo menos 150 casas foram destruídas e milhares de pessoas tiveram que ser evacuadas.

A polícia local acredita que alguns incêndios podem ter sido intencionais, e imediatamente potenciados pelas condições meteorológicas dominantes. Mais a norte, em Queensland estavam ativos cerca de 70 focos e foi emitido o alerta de "evacuação imediata" na passada quarta-feira (13). Este aviso incluía cidades como Woodgate, Kinkuna e o destino turístico Noosa, a cerca de 130 quilómetros a norte de Brisbane.

O fumo chegou à Argentina

Na quinta-feira, 14 de novembro, o Serviço Meteorológico da Argentina informou que depois de vários dias de emissão de fumo da zona de incêndio, ele foi transportado pelo vento sobre o oceano Pacífico alcançando a América do Sul. Depois de 12000 quilómetros, a coluna de fumo atingia território argentino.

A circulação de sudoeste em camadas mais elevadas na atmosfera deslocou-se para o nordeste da Argentina, e na sexta-feira 15, já se dispersavam. Contudo, a autoridade meteorológica da Argentina alertava que enquanto os incêndios na Austrália continuarem, novas colunas de fumo podem novamente chegar ao país.

Embora muitos focos tenham sido controlados, o panorama não é o melhor já que ainda há um longo verão pela frente com previsões de secas prolongadas. Apagar este tipo de incêndios pode levar meses de trabalho. Há 10 anos atrás a zona viveu uma grande tragédia com mais de 370 mortos no que é conhecido como Black Saturday. A onda de calor de 2014 foi classificada como “extrema”, embora seja possível que este ano seja necessário inventar uma nova definição: “muito extrema”.

O pior ainda está por vir

Em regra geral, a temporada de incêndios na Austrália decorre entre outubro e março. A costa leste do país geralmente é alcançada durante o verão pelos ventos secos e massas de ar muito quentes que se desenvolvem no deserto central.

O Bureau of Meteorology informou que a falta de chuva afeta grande parte de Nova Gales do Sul, Queensland e Austrália do Sul desde o início de 2017. Enquanto ocorre esta situação, o governo australiano maximiza os esforços não só para conter estes incêndios, como também porque as piores ondas de calor do verão estão por chegar com previsões nada animadoras.

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