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Erva comum em Portugal pode fazer parte da resposta à seca

Nesta altura do ano, o tema da seca que se vive em Portugal surge de forma mais frequente na comunicação social. De que forma uma planta pode ajudar a combater os efeitos das secas cada vez mais severas?

Planta.
Um exemplar de beldroega, planta que também pode ter usos culinários.

Uma erva bastante comum no nosso país pode ajudar a compreender de que forma será possível criar culturas mais resistentes à seca, num planeta cada vez mais afetado pelos impactes das alterações climáticas.

Essa erva é comummente chamada de beldroega (ou baldroega). Da espécie Portulaca oleracea, esta planta está disseminada um pouco por todo o território continental, à exceção de algumas áreas de Trás-os-Montes, a Área Metropolitana da Lisboa, o Baixo Alentejo e o Algarve.

(...) é a atividade agrícola que sofre com a falta de água, tanto à superfície como no subsolo, fazendo com que este tipo de pesquisa seja cada vez mais importante e impactante.

Segundo um estudo da Universidade de Yale, a beldroega desenvolveu características próprias que permitem “criar um novo tipo de fotossíntese”, resistindo à seca ao mesmo tempo que é altamente produtiva. Estas características fazem dela uma super-planta!

De uma forma geral, as plantas têm vindo a aperfeiçoar os seus mecanismos de fotossíntese (processo através do qual as plantas utilizam a luz solar para sintetizar nutrientes a partir do dióxido de carbono e da água) de forma a torna-los cada vez mais eficientes.

Há dois “tipos” de fotossíntese (C4 e CAM) que são conhecidos pela sua eficiência – o primeiro associado ao milho e à cana-de açúcar, permite que estas plantas sejam produtivas em ambientes com elevadas temperaturas; o segundo tipo está associado às suculentas como são exemplo os catos e os agaves, permitindo a sobrevivência destas em áreas onde a água é muito escassa.

Porquê a beldroega e não outra qualquer?

A beldroega, agora apelidada de super-planta, é considerada um exemplo a ser utilizado no futuro de engenharia agroalimentar. Esta planta adquiriu esta importância precisamente por conseguir utilizar os dois tipos de fotossíntese ao mesmo tempo, a C4 e a CAM, sendo em simultâneo altamente produtiva e resistente à seca.

Apesar de já ser conhecido que a beldroega dispunha destas duas vias de fotossíntese, pensava-se que elas trabalhavam em separado e não em simultâneo, como agora ficou provado. Este tipo de metabolismo refinado pode ajudar os cientistas a projetar novas formas de cultivar plantas, frutas e cereais, como o milho, tornando-os mais resistentes a episódios de seca prolongada.

Os cientistas responsáveis por esta pesquisa avisam, contudo, que ainda há um longo caminho de investigação pela frente, e que ainda podem existir mais espécies com estas características que ainda não tenham sido descobertas.

Como já foi explanado no nosso portal, o passado mês de julho foi extremamente quente, sendo que a seca no território continental português se acentuou significativamente. Entre outros efeitos, é a atividade agrícola que sofre com a falta de água, tanto à superfície como no subsolo, fazendo com que este tipo de pesquisa seja cada vez mais importante e impactante.