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Maior rio de Itália corre o risco de ficar seco

Toda a região do Mediterrâneo está já a sofrer um certo nível de stress hídrico, sendo que o verão ainda agora começou. A falta de água é geradora de um leque variado de problemas que afetam as populações de várias formas. Fique a saber mais sobre este assunto, connosco!

Rio Pó.
Troço do Rio Pó, perto da cidade de Placência, na região da Emília-Romanha. Nesta imagem é possível ver o rio com um caudal normal, ainda antes de se sentirem visivelmente os efeitos da seca.

O início do verão em Itália está a ser marcado, como em quase toda a região mediterrânica, pela escassez de água nas redes e bacias hidrográficas. Os cenários desoladores multiplicam-se: barragens quase sem água, troços de rios que podem ser atravessados a pé e muitas dúvidas quanto ao futuro de vários setores de atividade económica.

É proibido utilizar a água para necessidades não essenciais como regar plantas, encher piscinas ou lavar automóveis, por exemplo.

O Rio Pó, o maior rio italiano e um dos que tem maior caudal ao longo do ano, está praticamente seco em algumas secções. Após meses (e até anos) em que se verificou uma redução considerável dos valores de precipitação, é possível constatar, através da análise de imagens de satélite, que o caudal do rio diminuiu significativamente nos últimos dois anos.

Este rio, que nasce nos Alpes do Noroeste de Itália e desagua no Mar Adriático, a sul da conhecida cidade de Veneza, é uma importante fonte de água potável para muitas comunidades ao longo do seu traçado. A configuração das suas margens, na secção superior do rio (Noroeste e Norte de Itália), é essencial para a produção de energia elétrica através das barragens hidroelétricas. Já nas secções intermédia e inferior, permite o aproveitamento agrícola, que se encontra agora em risco, pois sem a água do rio, os solos vão perdendo qualidade, tornando-se pouco produtivos.

Neste momento, o caudal do Pó está cerca de 3,7 metros abaixo do valor mais baixo alguma vez registado, há cerca de 70 anos (em 1950). Para além da falta de chuva já relatada, (em algumas regiões da bacia do Pó, nomeadamente na Lombardia, já não ocorre precipitação há mais de 110 dias) outros fatores estão a provocar esta situação como é o caso da redução do volume de neve nos Alpes e as temperaturas mais elevadas que se têm registado na região.

Consequências da falta de água: quem sofrerá mais?

Com as causas identificadas, de grosso modo, é importante compreender as consequências que este evento poderá ter, a vários níveis. Neste momento, o maior impacte está a ser sentido na agricultura, pois é na bacia hidrográfica do Pó que são produzidos 40% dos alimentos que chegam às casas dos italianos, nomeadamente trigo, arroz e tomate.

Estima-se que a nível global, a atividade agrícola consuma aproximadamente 70% da água doce do planeta, um valor com tendência a aumentar, acompanhando a evolução das tendências da alimentação de um número cada vez maior de seres humanos.

É importante que a agricultura encontre formas de utilizar a água de forma mais eficiente, criando mecanismos de reaproveitamento de águas, como por exemplo as que saem das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), mas que continuam a não ser adequadas ao consumo humano.

De modo a minimizar os efeitos na agricultura, algumas vilas e cidades que estão inseridas na bacia hidrográfica do Rio Pó já tomaram medidas de racionamento da água potável. Assim, é proibido utilizar a água para necessidades não essenciais como regar plantas, encher piscinas ou lavar automóveis, por exemplo.

A atividade turística foi também afetada pela seca que afeta a bacia do Rio Pó. Aquilo que era considerada uma autoestrada fluvial tornou-se numa vasta extensão de sedimentos emersos, deixando inúmeros barcos e ancoradouros em terra. Sem água, a afluência de turistas diminui, tendo impacte direto na hotelaria, na restauração e consequentemente no emprego de milhões de italianos.