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Julho: mais um mês com a seca a agravar-se em Portugal

O mês de julho de 2022, em Portugal continental, classificou-se, do ponto de vista climatológico, como um mês extremamente quente em relação à temperatura do ar e muito seco em relação à precipitação.

Calor
Julho de 2022 foi um mês extremamente quente em Portugal.

Os períodos mais quentes que se verificaram no mês de julho foi devido à ação de uma corrente de leste e de uma massa de ar muito quente e seca transportada do norte de África.

Temperatura

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, IPMA, em Portugal continental, no mês de julho, o valor médio da temperatura média do ar, 25.14 °C, foi 2.97 °C acima do valor normal, no período de 1971-2000.

Julho deste ano foi o mês mais quente dos últimos 92 anos.

Este mês de julho contribuiu para que o período de janeiro a julho de 2022 fosse o 3º mais quente dos últimos 92 anos.

O valor médio da temperatura máxima do ar, 33.16 °C, foi o 2º mais alto desde 1931 (depois de julho de 2020), com uma anomalia de +4.44ºC.

O valor médio da temperatura mínima do ar, 17.13 °C, foi 1.51 °C acima do normal, e foi o 4º valor mais alto desde 1931 (depois de 1989, 1990, 2006).

Anomalias da temperatura do ar
Anomalias da temperatura média do ar no mês de julho, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1971-2000. (Fonte: IPMA)

Durante o mês de julho os valores de temperatura do ar estiveram quase sempre muito acima do valor normal. Os períodos mais quentes ocorreram entre os dias 7 e 17, 20 e 26 e 29 e 31. Referência para o período de 7 a 17 de julho, excecionalmente quente.

O valor mais elevado da temperatura máxima do ar, 47.0 °C ocorreu na estação do Pinhão, no dia 14, e constitui um novo extremo para o mês de julho, em Portugal Continental.

Dia 13 de julho foi o dia mais quente de 2022 (em Portugal Continental) e o 5º dia mais quente do século XXI.

Foram excedidos os extremos absolutos da temperatura máxima em 28 estações e da temperatura mínima em 21 estações.

O episódio de calor intenso no mês de julho quebrou vários recordes em várias estações meteorológicas.

Entre os dias 7 e 14 de julho foram registados 98 novos recordes de temperatura máxima, com o maior número de recordes absolutos no dia 14 e mensais no dia 13.

É de assinalar a ocorrência de uma onda de calor que abrangeu quase todo o território continental, com exceção das regiões do litoral, com duração excecional entre 6 e 16 dias.

Precipitação

Ainda de acordo com o IPMA, o total de precipitação neste mês, 3.0 mm, corresponde apenas a cerca de 22 % do valor normal 1971-2000.

Anomalias da precipitação
Anomalias da quantidade de precipitação, no mês de julho, em Portugal continental, em relação aos valores médios no período 1971-2000 (Fonte: IPMA)

No século XXI apenas em 3 anos (2001, 2009 e 2014) a precipitação em julho foi superior ao valor normal.

O maior valor mensal da quantidade de precipitação foi registado em Viseu, 27,5 mm (143%) sendo que em apenas 8% das estações meteorológicas foram registados valores de precipitação superiores a 10 mm. Em 42% das estações meteorológicas não foi registada precipitação.

Monitorização da Seca – Índice PDSI

No final de julho verificou-se uma diminuição generalizada dos valores de percentagem de água no solo em todo o território.

De acordo com o Índice Meteorológico de Seca, PDSI, índice meteorológico de seca calculado pelo IPMA para monitorização da situação de seca, no final de julho, mantém-se a situação de seca meteorológica em todo o território, verificando-se, em relação ao final de junho, um aumento da área em seca extrema.

A distribuição percentual por classes do índice PDSI no território é a seguinte: 55.2% em seca severa e 44.8% em seca extrema, tendo desaparecido a classe de seca moderada.