Desflorestação na Amazónia aumentou 278% num ano

A desflorestação levada a cabo no último ano na Amazónia, floresta tropical do Brasil, atingiu 2.254,8 quilómetros quadrados em julho, quando comparada com os dados relativos a julho de 2018, segundo informa o INPE. Saiba mais aqui.

Alfredo Graça Alfredo Graça 13 Ago. 2019 - 17:04 UTC
Proteger a Amazónia, o maior reservatório de oxigénio do planeta Terra, é uma das forma mais económicas de nos adaptarmos às alterações climáticas.

A desflorestação da floresta amazónica aumentou 278% em julho de 2019 quando comparada com julho de 2018, resultando na destruição de 2.254,8 quilómetros quadrados de vegetação, de acordo com novos dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Esta área apresenta o dobro do tamanho da cidade de Los Angeles. Enquanto a floresta ainda se estende por cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados - apenas um pouco maior que o México - o aumento na perda de árvores integra uma tendência perigosa. Segundo afirma a Associated Press, este é o maior corte de devastação da floresta tropical desde que o INPE começou a monitorizar a desflorestação com a sua metodologia atual em 2014.

Este conjunto de dados são cortesia do programa de monitorização por satélite do INPE, o DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), lançado em 2004 para ajudar os cientistas do INPE a detetar e prevenir a desflorestação ilegal na Amazónia. A revelação surge num momento de disputa entre os cientistas do INPE e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, um céptico das alterações climáticas que prometeu na campanha política abrir mão da Amazónia para diversos interesses respeitantes à mineração, às madeiras e à agricultura, apesar das proteções ambientais na terra.

Na passada sexta-feira (2 de agosto), Bolsonaro despediu o ainda líder do INPE, Ricardo Galvão, após a agência ter divulgado dados de satélite que mostravam um aumento de 88% na desflorestação em junho de 2019 quando comparado com junho de 2018. Bolsonaro afirmou que os dados eram uma "mentira" e acusou Galvão de servir "alguma ONG" (organização não governamental). A administração do Presidente anunciou também que o governo iria contratar uma empresa privada para assumir a monitorização da desflorestação da Amazónia.

O DETER foi criado para auxiliar os cientistas do INPE a detetar e prevenir a desflorestação ilegal na Amazónia.

A importância da Amazónia na troca gasosa dióxido de carbono-oxigénio

Num comunicado a anunciar a sua demissão, Galvão defendeu o trabalho do INPE e apelidou a decisão do presidente de "um embaraço". Não é, no entanto, uma surpresa. O ataque de Bolsonaro ao INPE decorre depois de sete meses de decisões políticas que enfraquecem a legislação ambiental e as agências científicas, ao mesmo tempo que fortalecem os interesses comerciais, informou a AP.

Assumindo-se como a maior floresta tropical remanescente na Terra, a Amazónia é também uma dos maiores ‘armazéns’ compensatórios de carbono do planeta, absorvendo até 2 biliões de toneladas de dióxido de carbono todos os anos (as suas árvores utilizam-no para a fotossíntese). Liberta aproximadamente 20% do oxigénio da Terra. Proteger a Amazónia e outras florestas tropicais é uma das formas mais económicas de nos adaptarmos à atual crise climática.

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