Congresso da Organização Meteorológica Mundial 2019

O Congresso Meteorológico Mundial aprova novo plano de compromisso público-privado. Na sua 18ª edição, pretende-se fortalecer vínculos entre os setores público, privado e académico, adotando a Declaração de Genebra 2019, Construindo Comunidades pelo Tempo, Clima e Mar.

Teresa Abrantes Teresa Abrantes 14 Jun. 2019 - 16:13 UTC
A Organização Meteorológica Mundial é composta por 193 Membros.

Começou dia 3 e acaba hoje, 14 de junho, o 18º Congresso da Organização Meteorológica Mundial. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) é uma organização intergovernamental, sediada em Genebra, na Suiça, e é composta por 193 Estados-Membros e territórios.

Organização Meteorológica Mundial

A OMM formou-se a partir da Organização Internacional de Meteorologia, fundada em 1873, como uma organização não governamental. Desde 1930 foram propostas novas estruturas e reformas na Organização, culminando na Convenção Meteorológica Mundial assinada em 11 de outubro de 1947, que entrou em vigor a 23 de março de 1950.

Formou-se assim formalmente a Organização Meteorológica Mundial a 17 de março de 1951, designada como uma agência especializada das Nações Unidas. O Congresso Meteorológico Mundial é o órgão supremo da Organização, realiza-se de 4 em 4 anos e determina a política a seguir. Cada estado membro e território é representado no Congresso por um Representante Permanente.

O Congresso elege o Presidente e os Vice-Presidentes da Organização e membros do Conselho Executivo e nomeia o Secretário-Geral, além da aprovação do Plano Estratégico e Orçamento para os próximos 4 anos e da aprovação de resoluções de interesse para o Homem e para o Planeta no âmbito do tempo, clima e ambiente.

Declaração de Genebra 2019

O 18º Congresso Meteorológico Mundial, além de dar luz verde a muitas resoluções técnico-científicas, aprovou o novo plano de compromisso público-privado para fortalecer os vínculos entre os setores público, privado e académico, adotando a “Declaração de Genebra - 2019: Construindo Comunidades pelo Tempo, Clima e Mar”.

A declaração sublinha a “necessidade de fortalecer toda a cadeia de valor dos serviços meteorológicos, climáticos e hidrológicos - desde a aquisição e troca de observações e informação, passando pelo processamento e previsão de dados e prestação de serviços - para atender às crescentes necessidades da sociedade”, e aponta para o “desenvolvimento de capacidades e crescente envolvimento do setor privado, contribuindo para todos os elos da cadeia de valor e para acelerar a inovação”.

O aquecimento global e a consequente alteração climática foi um dos temas abordados durante o Congresso da OMM.

De acordo com o Presidente da OMM, esta declaração é um claro apelo aos governos alertando para a importância de um compromisso e colaboração efetiva entre o serviço público, a academia e o setor privado, assegurando que sejam fornecidos os melhores e mais efetivos serviços, previsões e avisos aos cidadãos.

No âmbito das alterações climáticas e do crescente número de eventos extremos que têm ocorrido em todo o globo, a capacidade do setor privado, juntamente com a do setor público, trabalhando como parceiros, pode realmente ser mais eficaz para garantir os sistemas de aviso prévio com abordagem do risco climático.

Enquanto os serviços nacionais de meteorologia e hidrologia são a base da infraestrutura de observação e recolha de dados, análise e previsão - um facto destacado pela Declaração de Genebra - o papel do setor privado está a crescer rapidamente. As empresas não são apenas consumidoras de dados essenciais para setores que vão desde o transporte até a agricultura. Elas também se tornaram cada vez mais importantes como provedores de informação para empresas e sociedade em geral.

Para garantir que tais parcerias ocorram sem problemas, a Declaração destaca a importância de contribuir coletivamente, respeitando valores partilhados, promovendo a sustentabilidade da infraestrutura global, permitindo a partilha internacional gratuita de dados, colmatando as lacunas nos países em desenvolvimento, promovendo e mantendo acordos justos e transparentes, por exemplo, sobre o acesso a dados comerciais, e respeitar o direito soberano dos Estados Membros de decidir como os serviços de clima, clima e água são organizados e fornecidos.

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