Ciclone Tauktae dizima a Índia

Enquanto decorre uma luta contra a segunda vaga da pandemia de covid-19, que ameaça fazer colapsar o sistema de saúde, este ciclone está a varrer algumas áreas da Índia com extrema violência. Fique a saber tudo sobre este evento destrutivo, connosco!

Ciclone no Índico.
Imagem de satélite do ciclone Amphan, o último grande evento do género a afetar a Índia.

O início da semana está a ser catastrófico na Índia: para além dos constantes recordes relacionados com a pandemia de covid-19, o ciclone Tauktae, o mais intenso dos últimos 20 anos, está a afetar desde a passada segunda-feira alguns estados ocidentais, como Maharashtra e Gujarat e algumas cidades importantes como Kerala, Goa e Diu. Estão, de momento, registadas pelo menos 33 vítimas mortais e 89 desaparecidos.

Este número elevado de vítimas está associado ao naufrágio de uma embarcação ao largo da cidade de Mumbai, capital do estado de Maharashtra. Esta embarcação transportava 273 passageiros e ficou fora de controlo devido aos fortes ventos que se têm registado na costa ocidental da Índia, tendo acabado por naufragar no auge da tempestade. As operações de resgate desenrolaram-se durante todo o dia de ontem e permitiram que a Marinha Indiana tivesse resgatado dos mares revoltos 117 passageiros com vida.

Estes fenómenos, apesar de serem comuns, estão cada vez mais intensos e frequentes devido às alterações que se têm verificado nos padrões climáticos.

Já no estado de Gujarat, mais de 200 mil pessoas foram evacuadas de zonas de risco, por indicação das forças de segurança e do departamento meteorológico estatal, que registou naquela área rajadas de vento com velocidades na ordem dos 185 km/h. A cidade de Diu, junto à costa, registou uma subida do nível do mar de cerca de 3 metros, associada à violência da tempestade, sendo que naquela área foram registados ventos na ordem do 133 km/h.

O rasto deixado pelo Tauktae até agora é avassalador: mais de 2400 localidades sem energia elétrica, mas de 16 000 casas danificadas pelos ventos e pelas chuvas fortes e mais de 40 000 árvores arrancadas pelos ventos. No estado de Maharashtra, mais de 12 500 pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas perto do Oceano Indico, devido ao perigo das inundações costeiras.

Estes fenómenos, apesar de serem comuns, estão cada vez mais intensos e frequentes devido às alterações que se têm verificado nos padrões climáticos. Tanto a costa ocidental como a costa oriental são frequentemente fustigadas pela ação de ciclones. O último grande exemplo ocorreu em maio de 2020 quando o ciclone Amphan provocou uma centena de vítimas mortais e afetou, direta ou indiretamente, milhões de cidadãos indianos.

Um ciclone dentro de um furacão pandémico

No âmbito da saúde pública, a Índia está a viver há alguns meses um autêntico furacão. São recordes atrás de recordes, tanto no número de infetados como no número de mortos, numa sucessão de vagas que não parece ter fim à vista. A situação é de tal forma grave que ameaça fazer colapsar o sistema de saúde indiano a qualquer momento.

Especificamente durante esta semana, a situação pode agravar-se, principalmente nos estados mais afetados pela passagem do Tauktae. A primeira medida de segurança tomada pelas autoridades foi a suspensão da vacinação. Os fortes ventos conjugados com a chuva persistente provocaram estragos nos centros de vacinação que foram forçados a encerrar.

O aeroporto de Mumbai, depois de ter sido encerrado ao tráfego comercial por indicação das autoridades, foi utilizado como plataforma de transporte de doentes infetados com covid-19 para áreas mais seguras. Cerca de 580 doentes foram evacuados.

É expectável que, nas próximas semanas, com o rescaldo da passagem deste ciclone, a situação pandémica piore, já que os deslocados que foram colocados em abrigos provisórios, estão resguardados dos efeitos da tempestade, mas ao mesmo tempo estão mais suscetíveis de contraírem o vírus. Estes abrigos, apesar de serem de extrema utilidade, não estão preparados para responder a uma situação pandémica, já que dificilmente permitem um distanciamento social aceitável.

Outro fator a salientar é que a destruição causada pela passagem deste ciclone, tanto na rede viária como na rede ferroviária e no abastecimento de energia elétrica e água potável podem potenciar o aumento do número de contágios.