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Ásia regista o valor mais elevado de temperatura de sempre em agosto

Cidade na Ásia registou, a 9 de agosto, 53.6ºC, a temperatura mais elevada já registada, neste mês, neste continente, e uma das mais elevadas da história. Isto ocorre num momento em que grande parte do mundo enfrenta condições climático-meteorológicas extremas.

termómetro; temperaturas elevadas
Registou-se, na passada terça-feira (9 de agosto), a temperatura mais elevada na Ásia, em agosto, e uma das mais elevadas na história mundial.

À medida que continuamos a testemunhar grandes evidências das mudanças climáticas, que variam entre invernos mais rigorosos e altas temperaturas durante o verão, a Iran Meteorological Organization (IRIMO) oficializou a temperatura de 53.6ºC, registada numa cidade do Irão, a 9 de agosto, entre os valores de temperatura do ar mais elevados de sempre. Trata-se do dia de agosto mais quente da história do país e da Ásia e um dos mais quentes do mundo.

Onde se situa este registo de temperatura no panorama internacional?

Oficialmente, a temperatura mais elevada já registada no planeta é de 56.6ºC no Vale da Morte, na Califórnia (Estados Unidos da América), a 10 de julho de 1913. Christopher Burt, historiador meteorológico do Weather Underground, publicou, em 2016, uma crítica a este registo, concluindo que a mesma seria particularmente impossível numa perspetiva meteorológica e que o sensor de registo de temperatura também cometeu erros.

Além disso, segundo uma análise efetuada por Burt aos extremos de temperatura no mundo, os 54ºC registados em Mitribah (Kuwait), a 21 de julho de 2016, e no Vale da Morte, na Califórnia, a 30 de julho de 2013, constituem-se os mais elevados dos registos modernos.

Tendo em conta o índice de calor, que também considera a humidade do ar, a temperatura que se registou no passado dia 9 de agosto no Irão pode ter sido a mais elevada, com 61.1ºC, de acordo com USA Today. Note-se, aliás, que embora as temperaturas tenham caído aos 47ºC no final da passada semana, devem subir novamente aos 50ºC nos próximos dias, o que denota a permanência de valores de temperatura extremos.

Isto eleva a necessidade de reflexão global, num ano muito atípico com valores muito elevados de temperatura.

Um mundo mais quente com temperaturas mais extremas

O ano de 2022 fica para a história como aquele em que se bateram todos os recordes de temperatura no mundo e na Europa. Para milhões de pessoas na Europa, as condições meteorológicas particularmente quentes têm impulsionado nos últimos dois meses o reconhecimento dos efeitos das mudanças climáticas.

As temperaturas no Reino Unido ascenderam aos 40ºC pela primeira vez na história, enquanto países como a Croácia, a Espanha, a França, a Grécia e Portugal têm enfrentado incêndios há várias semanas.

No caso em concreto do Reino Unido, os especialistas atribuem às mudanças climáticas grande nível de significância para os recordes de temperatura e para a seca que se vivencia no estado, dando origem à pergunta ‘Onde está o Rio Tamisa?’, que tem corrido tinta nos principais jornais internacionais.

Em todo o mundo é fundamental adaptar as estratégias de gestão territorial às novas condições ambientais, que serão cada vez mais comuns.

A propósito do que se sucedeu na passada semana no Irão, já em 2016, um relatório da National Academies of Sciences, Engineering and Medicine reportou o agravamento das ondas de calor entre os eventos climáticos que melhor se associam às mudanças climáticas causadas pela ação antrópica. Também um estudo publicado na revista The Lancet Planetary Health, em 2017, alertou que, até ao final do século, as temperaturas no Médio Oriente podem tornar-se muito elevadas para a sobrevivência humana.

Mais recentemente, uma outra investigação de 2020, publicada na Sustainable Cities and Society, aponta para perdas significativas em áreas urbanas em rápida expansão causadas pelos desastres associados às mudanças climáticas. Além disso, os autores do artigo referem o facto de ser necessário criar ambientes urbanos mais robustos e resilientes, atendendo à existência de infraestruturas e sistemas urbanos muito vulneráveis.