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Uma explosão violenta nunca antes vista intriga astrónomos

A deflagração mostrou ser dez vezes mais brilhante que uma supernova em apenas 3 dias. Astrónomos discutiram em Seattle pelo menos três ideias quanto à sua origem.

Alfredo Graça Alfredo Graça 11 Jan. 2019 - 11:48 UTC
Em apenas três dias, apareceu 10 vezes mais brilhante que uma supernova normal.

Uma explosão cósmica sem precedentes abalou o mundo da astronomia. Em junho passado, o telescópio Atlas no observatório de Haleakala (Havai) detetou uma explosão anormalmente brilhante no céu que não se apresentava como um fenómeno conhecido. Análises posteriores revelaram que se trata de um tipo de objeto nunca antes observado e que abre novos caminhos de investigação.

Tudo começou à meia-noite de 16 de junho de 2018, quando o telescópio Atlas fotografou um ponto brilhante na constelação de Hércules, que na noite anterior não estava lá. Segundo Stephen Smartt, astrónomo da Universidade Queen’s, em Belfast, Reino Unido "Fiquei estupefacto quando a descoberta veio do Havai”.

A maioria das explosões cósmicas detectadas são supernovas, que costumam demorar semanas a alcançar o seu brilho máximo. Porém, em apenas três dias AT2018cow apareceu dez vezes mais brilhante que uma supernova. “Mostrou-se 10.000 milhões de vezes mais luminoso que o nosso sol”, afirma Smartt.

Após a descoberta inicial, dezenas de telescópios terrestres e espaciais observaram a explosão, que ocorreu a 200 milhões de anos-luz da Terra. Examinaram-na até outubro, momento em que o sol a ocultou. Os últimos resultados apresentados ontem no congresso da American Astronomical Society realizado em Seattle, confirmam que não é uma supernova normal e apontam para três cenários alternativos sobre a causa da explosão violenta.

Dezenas de telescópios tentaram compreender a origem do fenómeno

Ainda sem resposta. A primeira possibilidade aponta para que seja uma supernova geradora de um monstruoso zombi estelar: um magnetar, um tipo de estrela de neutrões que gira a alta velocidade sobre si mesma e que possui um intenso campo magnético. Nunca se tinha observado o nascimento de um deles.

Outra opção plausível é que foi uma supernova fracassada: uma estrela tão grande que, em vez de explodir, desabou sobre si mesma e formou um buraco negro. No entanto, antes de morrer, ela foi capaz de expulsar grandes quantidades de gás. A interação do buraco negro com o gás poderá ter sido a causa da intensa radiação observada em todos os comprimentos de onda. Por último, uma terceira possibilidade é que esta é uma estrela rasgada depois de se aproximar demasiado perto de um buraco negro. Contudo, este tipo de acontecimento ocorre por norma nos buracos supermassivos localizados no centro das galáxias, e este não é o caso do AT2018cow.

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