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O poder da diferença de pressão!

O tempo está directamente relacionado com as variações de pressão atmosférica no planeta, refletindo-se em fenómenos climáticos como ocorrência de ventos que se deslocam de zonas de alta para baixa pressão.

Falemos então das poderosas forças denominadas de vórtices polares. Uma designação comumente utilizada para referir a forte massa de ar, que se encontra nas latitudes médias (quase-zonal), tratando-se de um sistema de vento estratosférico, que se desenvolve durante o inverno, como resultado do gradiente de temperatura entre as latitudes médias e os pólos.

Ou seja, neste planeta existem dois vórtices circumpolares, cada um deles com duas outras diferentes estruturas, uma na estratosfera e outra na troposfera. Estruturas essas, que implicam na sazonalidade, dinâmica e impactes no clima extremo, e no caso dos eventos severos de frio, estes, estão relacionados com a deslocação transitória na periferia do vórtice troposférico, o qual, é muito maior do que a sua contraparte estratosférica.

O maior contraste topográfico existente no Hemisfério Norte, gera ondas de propagação ascendente mais fortes do que no Hemisfério Sul, o que faz com que o vórtice estratosférico no norte seja mais fraco e mais distorcido do que no sul.

O último aquecimento estratosférico aconteceu sob a região da Sibéria, e o anterior havia ocorrido sob o Atlântico Norte.

Porquê falar do vórtice polar?

Porque nos primeiros dias do passado mês de janeiro, esta “bolha” de ar frio, que se situa entre 15 a 50 km acima da superfície do Polo Norte, dividiu-se em dois “vórtices irmãos”. Ora, o cerne é que, este tipo de ocorrência pode despoletar um efeito dominó em termos de eventos atmosféricos, a começar por exemplo, com a deslocação mais para sul, de células que transportam mais frio, afetando latitudes como o nordeste dos EUA e a Europa Ocidental, e instaurando um período invernal mais severo.

O que acontece é que, a cada outono, à medida que o Ártico vai recebendo menos luz solar, e por inerência, arrefece ainda mais, criando maior disparidade de temperaturas entre o Pólo Norte e o Equador, originando a formação de um tornado gigante - o vórtice polar, cuja validade de existência se confina até ao final da primavera.

A estatística mostra que, em média, a cada dois anos, ocorre um súbito aquecimento ao nível da estratosfera, onde as temperaturas, durante alguns dias, chegam aos 50 ⁰C, e os efeitos dessa ocorrência propagam-se até à superfície, dando-se a separação do vórtice, e a criação de uma área de altas pressões, fazendo sugerir que este se desloca para latitudes mais a sul. Contudo, não é o vórtice polar que se desloca, ele confina-se ao espaço da estratosfera acima do Ártico, é a corrente de jato (troposfera), que por efeito do rompimento do vórtice polar, desliza mais para sul, transportando consigo o ar frio do Ártico.

Qual o seu efeito no clima?

Não reúne consenso, mas é lógica a afirmação de que alterações nos padrões climáticos no Ártico (como a crescente diminuição do gelo polar – com efeito de enfraquecimento do vórtice, ou acentuada variação na TSM), propiciarão a que perturbações no vórtice sejam mais comuns, e com isso, eventos extremos como o que atingiu a Europa no ano passado (Besta do Oriente) sejam mais frequentes e se prolonguem temporalmente.

Este fenómeno, frui de grande variabilidade temporal, existindo registos quer da sua ocorrência consecutiva ao longo de uma década, quer em blocos de biénios, pelo que a sua monitorização é de relevante interesse para a comunidade cientifica, considerando acções adaptativas e/ou mitigadoras que poderão ser formuladas, com vista a uma melhor protecção civil.

O vórtice polar é manifestamente imprevisível, e sendo um dos constituintes do sistema caótico que é a atmosfera da Terra, a predictabilidade da sua ruptura é árdua, mas a hipótese de regiões em latitudes temperadas, vivenciarem eventos extremos de frio severo, expandidos temporalmente, são cada vez mais factuais!