Mais uma depressão a caminho de Portugal!

Na dinâmica circulação geral da atmosfera, sumidouros de energia térmica como tempestades por meio de sistemas frontais ou baixas pressões têm o importante papel de estabilizar e homogeneizar a atmosfera.

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 30 Jan. 2019 - 17:47 UTC
A atmosfera está a “aprisionar” mais vapor de água e a concentrar mais humidade.

Como sistema aberto e dinâmico, a atmosfera não tem sempre a mesma composição (note-se o desequilíbrio na quantidade de CO2 e CH4), e isso repercute-se em várias consequências como, oscilações na temperatura do ar, na temperatura superficial das águas oceânicas, e na ocorrência de fenómenos extremos! Os fenómenos meteorológicos, como sistemas caóticos, dificultam a acuidade na previsão de trajetórias.

Ainda sem denominação, mas, a conjugação dos dados da monitorização de satélite, com a análise estatística de variáveis meteorológicas, como vento e TSM, indiciam que já a partir da tarde do último dia de janeiro (amanhã), um sistema de baixas pressões em circulação a sul da Gronelândia, incluirá Portugal Continental na sua rota. Foi identificada uma extensa área de baixas pressões, associadas a superfícies frontais, a nordeste do continente, estando a fomentar instabilidade atmosférica, uma massa em progressão para oeste, que acumula energia e aumenta de intensidade.

As últimas previsões meteorológicas, apontam para alguns períodos de precipitação forte, trovoadas, ventos com forte intensidade, assim como forte agitação marítima, com particular incidência na costa ocidental a norte de Lisboa, sendo que, para as regiões interiores do Norte e Centro, está ainda prevista a queda de neve em cotas acima dos 700/800m, isto porque, os valores de temperatura irão descer! E, está a ser apontado o primeiro dia de fevereiro (sexta-feira), como o dia mais gravoso!

A prevenção, como melhor estratégia!

Nunca demais destacar especial atenção, para as estruturas soltas ou suspensas, como toldos, andaimes, ou outdoors publicitários, pois prevê-se o vento sopre forte, do quadrante noroeste, com rajadas que poderão chegar aos 90 km/h, sendo que, nas regiões montanhosas do interior, poderão atingir os 100 km/h.

Igualmente importante lembrar, especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas mais vulneráveis a galgamentos costeiros, devendo ser evitada a permanência nesses locais, isto porque, a agitação marítima poderá atingir os 8/9 m a norte do cabo da Roca, podendo duplicar a altura no Canhão da Nazaré!

O gradiente térmico associado à corrente de jacto, propiciará uma rápida oclusão e ondas imponentes, existindo por isso associada a esta dinâmica, uma forte probabilidade de ocorrência da chamada stormsurge (maré de tempestade) particularmente a norte do cabo da Roca, sendo assim desaconselhável a prática de actividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar. É previsível ainda que, associada à corrente de jacto, ocorra a deslocação mais para sul do fluxo de ar frio, o que, no dia 2, poderá fazer descer as cotas de queda de neve para os 600 m.

Aludir o estágio “Alterações Climáticas” implica a análise estatística das variáveis meteorológicas de um período de 30 anos.

Efeitos das Alterações Climáticas?

Não se pode rotular um fenómeno extremo, como um efeito direto, contudo, é inquestionável que, a atual humanidade está a assistir a indícios que personificam um quadro de modificações da composição da atmosfera, definido como Alterações Climáticas. Estas ocorrem ciclicamente no planeta, mas numa escala exponencialmente dilatada na métrica do tempo.

De facto, a monitorização cientifica demonstra significativas alterações da temperatura média global da atmosfera à superfície, e o aumento na temperatura das águas superficiais do oceano, as quais, desde o ano 1900 até à actualidade subiram cerca de 1,5⁰C. Todas estas condicionantes, personificam o chamado “efeito borboleta”, pois potenciam a ocorrência de eventos meteorológicos extremos, cada vez mais frequentes e com maior severidade.

Muito importante:

Os meios tecnológicos actuais, são veículos extremamente relevantes, para ajudar na mitigação dos efeitos deste tipo de fenómenos nas comunidades como um todo, contudo, estes fenómenos podem efectivamente ser surpreendentes, e anular a possibilidade de alerta efectivo. Daí que, a colaboração entre entidades, e a informação não devem ter efeito ilha, assim como, a literacia das populações é o mote determinante para minimizar perdas mais graves!

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