A hipóxia está a matar os oceanos!

Embora vasto, o oceano não é infinito, logo não é imune à influência humana, e os motivos do declínio do número das espécies marinhas são variados!

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 08 Jan. 2019 - 09:43 UTC
Alarmantemente, está em curso uma perigosa transformação nos oceanos do planeta.

Contudo, esses motivos poderão ser identificados em resultado da convergência de uma série de factores, como a sobrepesca ou a poluição. Ou seja, todas as acções resultam em consequências! Por exemplo, o escoamento de nutrientes azotados, fertilizantes sintéticos (e dejetos de animais), dos solos cultivados, para os cursos de água, têm vindo a alterar profundamente os ecossistemas costeiros. Do mesmo modo que os fertilizantes utilizados no solo, permitem o aumento da produtividade das actividades agrícolas, a sua presença nas águas estimula o desenvolvimento de formas tóxicas de fitoplâncton, as quais proliferam rapidamente, originando a chamada eutrofização.

Paralelamente, no final do seu ciclo de vida, ao morrerem, as algas ficam depositadas no fundo marinho, onde se decompõem. Durante esse processo, vão consumindo oxigénio, diminuindo a sua quantidade na água, contribuindo para as chamadas zonas de hipóxia, vulgo "áreas mortas". Resultados de monitorizações em curso desde a década de 1960, apuraram que, a atividade poluidora degradou a qualidade da água do mar de tal modo, que o número de zonas hipóxias duplicou a cada 10 anos, estando actualmente identificados aproximadamente, 250 milhões de km² de área oceânica - predominantemente costas densamente povoadas, como os mares Báltico e Negro, leste do mar da China e Golfo do México.

Investigação publicada no início do mês pela revista Oceanography, em resultado da monitorização das concentrações de O₂ nos rios na Carolina do Norte (EUA), demonstrou o efectivo impacte da actividade humana no regime de fluxo dos cursos de água. Isto é, em zonas densamente urbanizadas, “barreiras” como a impermeabilização criada, quer pelas vias de comunicação, quer pelas tubagens de águas pluviais, barragens e outras alterações humanas, implicam determinantemente com os processos de erosão, diminuindo o fluxo, e levando ao aumento da estagnação da água.

Ora, quando a água deixa de fluir naturalmente, torna-se mais vulnerável à ocorrência de hipóxia, com repercussões negativas para a biodiversidade, uma vez que se dá uma acumulação de nutrientes, de matéria orgânica, diminui a concentração de oxigénio, matando os peixes.

As chamadas zonas mortas são áreas oceânicas destituídas de oxigénio, impedindo o desenvolvimento de vida marinha.

Zonas mortas são uma pesada ameaça à vida marinha!

Além de todo o impacte negativo que causam, estas áreas são de difícil reversão, sendo responsáveis pela dificuldade de recuperação de espécies, como o caso do bacalhau do mar Báltico, o qual, como consequência desastrosa da sobrepesca, ficou sob proteção do espécime!

Até há pouco “preocupação” apenas, para os países mais industrializados, actualmente, a proliferação de zonas mortas alcança já dimensões planetárias. Trata-se de um problema alimentado por uma série de factores inerentes à evolução e sociedade actuais, falamos da industrialização, da mudança de hábitos alimentares, do crescimento demográfico, condicionantes que implicam com um maior e mais intensivo uso de fertilizantes, e por inerência, mais lixo despejado nos cursos de água.

Na impossibilidade de se reconfigurarem hábitos, ou desacelerar o crescente aumento demográfico (dependente de um constante crescimento da oferta de alimentos), urge o desenvolvimento de fertilizantes, cujas fórmulas tenham um reduzido impacte no meio ambiente!

Zonas mortas perigosamente letais!

Os impactes dos contaminantes tóxicos (metais pesados ou compostos químicos), na vida marinha são já possíveis de correlacionar, com a redução da diversidade genética, ou com a redução, na fase jovem, do crescimento de espécies como o salmão, diminuindo consequentemente as suas hipóteses de sobrevivência na rede trófica oceânica.

O mercúrio, por exemplo, libertado na atmosfera e oceano, é um elemento extremamente tóxico que provoca uma série de problemas reprodutivos e comportamentais. Alude-se o evento ocorrido na baía de Minamata, no Japão. Os habitantes apresentaram sintomas, desde dormência nas mãos e pés, visão, audição e fala comprometidas, casos de insanidade, estado de coma e inclusive morte.

Um grave quadro clínico, despoletado pelo consumo dos mariscos da baía, os quais haviam acumulado mercúrio, proveniente dos efluentes lançados na água, por uma fábrica de produtos químicos! A sociedade atual, tem a responsabilidade de assegurar a continuidade e permanente evolução das espécies. É tempo de tornar a teoria, prática!

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