Vídeo viral: é mais radioativo um microondas ou um despertador?

Quando falamos de objetos radioativos nas nossas casas lembramo-nos do microondas ou do telemóvel, mas não podíamos estar mais longe da realidade. Os objetos verdadeiramente radioativos são os mais discretos, aqui falamos deles.

Victor González Victor González Alfredo Graça 15 Jan. 2020 - 09:00 UTC

A atmosfera terrestre e a magnetosfera protegem-nos constantemente das radiações mais energéticas procedentes do espaço. Porém, estamos expostos aos materiais radioativos que existem na Terra. É inevitável que surja a pergunta: temos materiais ou objetos radioativos em casa?

O que acontece com o microondas?

Os fornos de microondas são uma fonte de dúvida constante. Impressiona a capacidade que têm para aquecer os alimentos e a rapidez com a qual atuam, contudo, emitem radiação eletromagnética não ionizante, sendo a luz visível ou os infravermelhos muito mais energéticos (e ainda assim seguros) como as microondas. O calor é concebido através da vibração das moléculas polares e portanto aquecendo rapidamente qualquer objeto que contenha água, mas para tal necessitam de potências na ordem dos 1000w. Qualquer outra fonte que seja de infravermelhos ou luz visível que tenha essa potência também poderá provocar queimaduras com facilidade, portanto, a chave não está no tipo de radiação mas sim na potência usada.

Como qualquer aparelho de alta potência, um microondas é perigoso se for utilizado indevidamente, mas não representa nenhum risco se for usado da forma habitual, nem sequer se manipularmos os controles ou olharmos ocasionalmente pela janela, estando ele aceso. As antenas WiFi, os telemóveis ou os radares meteorológicos também emitem microondas, contudo a potência que recebemos deles por unidade de superfície é muito menor e portanto, ao ser uma radiação não ionizante, são completamente seguros e inofensivos.

Pinturas fosforescentes e relógios antigos

Chegamos ao ponto mais delicado. No início do século XX começou a usar-se rádio 226, extremamente radioativo como pintura fluorescente para relógios e indicadores analógicos, desta forma brilhavam no escuro. Os efeitos não tardaram em manifestar-se, fazendo adoecer uma enorme quantidade de trabalhadores e fabricantes de relógios devido a isto.

Desde 1968 que estes relógios não são fabricados, sendo que os pigmentos luminosos radioativos foram substituídos pelas pinturas fluorescentes modernas. Não obstante, ainda existem alguns relógios antigos nas nossas casas pintados com rádio.

São seguros?

Desde logo, no que toca à radiação, são menos seguros que um microondas, mas felizmente não representam perigo se lhes for dado o uso para o qual foram concebidos, evitando utilizações desnecessárias. Os relógios pintados com rádio costumam ter um cristal que protege parcialmente da radiação. Além disso, as fontes radioativas (neste caso pintura de ponteiros e números) são muito pequenas e basta manter uns centímetros de distância para que os níveis de radiação sejam mínimos.

Se temos um suspeito em casa não devemos ficar alarmados, usando-o com normalidade não deverá constituir risco. Só devemos evitar desarmá-lo e claro, informarmo-nos antes de nos desfazermos dele, já que é um resíduo especial que não pode ser despejado com o lixo convencional.

Publicidade