O efeito do sol no bailado das folhas

A energia emanada pelo Sol personifica uma panóplia de efeitos, os quais, para além de alavancar a existência das mais diversas formas de vida no planeta Terra, se traduzem em eventos de admirável beleza. Descubra mais aqui!

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 20 Nov. 2019 - 15:45 UTC
Cada metro quadrado da atmosfera recebe cerca de 1.000 watts de energia proveniente do Sol.

Nos tórridos 15 milhões de graus Celsius do centro da nuvem de plasma, do corpo celeste que habita o coração do sistema solar, é ininterruptamente transformado hidrogénio em hélio, numa energica dinâmica que dura há cerca de uns escassos 4.5 giga anos e com potencialidade para continuar por outros tantos.

Do Sol é emitida luz que demora pouco mais de 8 minutos para percorrer os 147 a 149,6 milhões de quilómetros até chegar ao planeta Terra, permitindo conjeturar que, se esse ponto de fusão de átomos de hidrogénio eventualmente se apagasse, o seu último sopro de energia seria recebido na Terra 8 minutos depois de se ter extinguido.

Em apenas um segundo, o Sol emite mais energia do que a civilização humana produziu desde a sua origem, e apenas cerca de 2 bilionésimos da radiação que emite é recebida pela Terra. Não obstante, o poder da energia do Sol recebido sob a forma de luz é tão assombroso, que orquestra as dinâmicas que possibilitam a existência de vida no planeta, impulsionando mecanismos como o efeito de estufa, o ciclo da água, a dança das massas de ar, a distribuição do edificado arbóreo e inclusive o estado emocional do ser humano.

O efeito do Sol na flora

Anualmente, pouco antes do início do último trimestre, transita-se no Hemisfério Norte, de um período climático com temperaturas médias mais quentes para um com temperaturas mais frias, começando a reunir-se as condições meteorológicas que caracterizam a estação do Outono Boreal (Austral no H.S.). É a altura em que se assiste à pintura da flora em tons de amarelo, laranja e castanho, e onde a incidência de ventos ritma o bailado das folhas que vão abandonado nos ramos, deixando as árvores desnudas.

Prevalece um estado do tempo com temperaturas mais amenas, caracterizado por variações bruscas e grandes amplitudes térmicas, ocorrência de períodos de precipitação, por vezes forte, com incidência de nevoeiros e de geadas nas áreas montanhosas. Trata-se de uma época meteorológica, durante a qual, nas latitudes mais distantes do Equador, pela obliquidade progressiva da incidência dos raios solares que atravessam a atmosfera, dá-se o espalhamento e perde-se mais energia, ficando mais frio, com dias menores que as noites.

Em busca de uma fundamental estabilidade térmica, para mitigar a perda de energia, as árvores entram numa espécie de hibernação neste período do ano e, para mitigar a eliminação de líquidos nas raízes, caules e troncos, e economizar energia (seiva) libertam-se das folhas. É a época do ano associada a uma espécie de preparação, e tal como para minimizar as perdas de energia, na flora, as árvores deixam cair as folhas, na fauna, as formigas começam a amealhar reservas para o inóspito inverno.

As folhas escondem outras cores ao produzirem em maior quantidade a clorofila B que lhes dá a cor verde.

As folhas não mudam de cor, apenas perdem a cor verde!

Na verdade, as árvores não eliminam as folhas. O que acontece é que a missão de um pigmento fotossintético denominado de clorofila, cuja função é captar, absorver a luz azul e vermelha da radiação solar, fazendo com que através das folhas seja emitida a cor verde, é temporariamente alterada. Para se alimentar, as plantas necessitam de realizar a fotossíntese, mecanismo onde intervém o dióxido de carbono obtido no ar, a água sugada do solo e a energia do Sol. Porém, as moléculas de clorofila são instáveis, estando constantemente a ser sintetizadas pelas plantas, uma ação que exige sol e por inerência, calor.

No Outono, os sais minerais que são necessários à síntese da clorofila deixam de chegar às folhas da maior parte das árvores, que por isso vão perdendo as moléculas responsáveis pela sua cor verde. Sem clorofila, outros pigmentos assumem comando, como o caroteno e a xantófila, tornando as folhas avermelhadas e amarelas (respetivamente), ou azuladas se forem produzidas antocianinas. A efemeridade é inerente a qualquer existência, e também estes pigmentos não resistem à passagem do tempo, acabando as folhas por ficarem acastanhadas, já só com os taninos como único pigmento, e, ao sabor dos ventos, rodopiarem e cobrirem o chão.

Todavia, a variação de cores das folhas no Outono, não se explica apenas pela presença de diferentes pigmentos, a sua dominância varia também de acordo com as necessidades de adaptação das diferentes espécies de árvores. Assim, como estratégia de defesa contra insetos e parasitas atraídos pelos aminoácidos, as folhas adoptam a cor vermelha, e nessa altura, os aminoácidos migram para os ramos e troncos para fortalecer a árvore contra os rigores do Inverno.

A adaptação é transversal em todos os parâmetros de existência, e o Outono é assim, tal como acontece com as árvores, que focam a energia para enfrentar os obstáculos do Inverno, até se iniciar um novo ciclo da Primavera.

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