Alterações climáticas ameaçam o futuro da agricultura na Europa

Estima-se que a produção agrícola e pecuária diminua em regiões do Sul da Europa devido aos impactos negativos do Clima. A adaptação às alterações climáticas deve ser prioritária para prevenção de secas, ondas de calor e inundações.

Alfredo Graça Alfredo Graça 11 Set. 2019 - 17:39 UTC
O rendimento proveniente da agricultura poderá ser afetado devido aos impactos negativos provocados pelas alterações climáticas.

Os impactos adversos das alterações climáticas já estão a ser sentidos em toda a Europa. Eventos meteorológicos extremos, incluindo as recentes ondas de calor em muitas partes da União Europeia (UE), já estão a provocar prejuízos económicos para os agricultores e para o setor agrícola da UE. As futuras mudanças climáticas também podem proporcionar alguns efeitos positivos devido a épocas/períodos de tempo de crescimento mais longos e às condições de cultivo mais adequadas, mas esses efeitos poderão ser superados pelo aumento de eventos do tempo severos que afetam negativamente a agricultura.

Prevê-se que estes impactos adversos aumentem a sua ocorrência devido à projeção das alterações climáticas, de acordo com o relatório da Agência Europeia do Ambiente 'Adaptação às alterações climáticas no setor agrícola na Europa'. O relatório deita um olhar sobre os principais problemas das alterações climáticas enfrentados pela agricultura na UE e as perspetivas para o futuro. Também fornece uma visão geral de como as políticas e programas da UE estão a lidar com a adaptação às alterações climáticas e inclui exemplos de ações de adaptação viáveis e bem-sucedidas. Os impactos climáticos levaram a colheitas mais pobres e custos de produção mais altos, influenciando o preço, a quantidade e a qualidade dos produtos cultivados em várias partes da Europa. Embora as alterações climáticas sejam projetadas para melhorar as condições de cultivo em regiões da Europa do Norte, o oposto aplica-se para a produtividade das culturas agrícolas na Europa do Sul.


De acordo com algumas projeções, os rendimentos de culturas não irrigadas, como o trigo, milho e beterraba sacarina, deverão diminuir no Sul da Europa em 50%, até 2050. Isso poderá resultar numa queda substancial do rendimento agrícola por volta de 2050, com enormes variações regionais. Num cenário semelhante, projeta-se que os valores das terras agrícolas diminuam em partes do Sul da Europa em mais de 80% até 2100, o que poderia resultar no abandono de terrenos agrícolas. Os padrões comerciais também serão afetados, o que atingirá o rendimento proveniente da agricultura. Enquanto que a segurança alimentar não está sob ameaça na UE, o aumento da procura por alimento em todo o mundo poderá exercer pressão nos preços dos alimentos nas décadas vindouras, segundo o relatório.

A adaptação a nível agrícola é fundamental

A estratégia de adaptação da UE é um fator-chave das ações de adaptação na Europa. O relatório da AEA realça que são necessários mais conhecimento, inovação e consciencialização para melhorar o uso eficaz das medidas de adaptação já disponíveis, como a introdução de culturas adaptadas, técnicas de irrigação otimizadas, diversidade de culturas ou agricultura de precisão.

Estas práticas também devem conduzir a uma redução da emissões de gases com efeito de estufa e poluentes do ar, a uma melhor gestão dos recursos do solo e da água, o que por sua vez, ajudará a preservar os ecossistemas locais e a biodiversidade. O relatório também sugere que os Estados-Membros da UE devem priorizar melhor a adaptação no setor agrícola, aumentando o financiamento de medidas de adaptação através da implementação da Política Agrícola Comum (PAC).

A agricultura continua a impulsionar as alterações climáticas

O setor agrícola possui também um papel crucial a desempenhar na redução das emissões de gases com efeito de estufa. A agricultura representa cerca de 10% de todos os gases com efeito de estufa na UE. As emissões de metano (CH4) da fermentação entérica compõem a maior parcela e o amoníaco (NH3) e o material particulado primário (PM10) são os dois poluentes atmosféricos mais impactantes da agricultura.Para reduzir as emissões poluentes, a Europa poderá recorrer, por exemplo, a medidas como melhorias no uso de fertilizantes, na eficiência da gestão de estrumes e adubos e na produtividade animal através da criação.

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