O café e as mudanças climáticas

O café, essa bebida universal apreciada por todos, está em risco, se não forem tomadas medidas adequadas que possam abrandar o aquecimento global que se tem verificado.

Teresa Abrantes Teresa Abrantes 19 Jan. 2019 - 08:01 UTC
O setor do café em risco devido à mudança climática.

Sabemos que a temperatura média do ar em todo o globo está a subir e devido a esta mudança climática é de esperar no futuro alguns impactos graves em alguns setores, como é o caso do setor do café. A mudança climática tem gerado mais ondas de calor, secas e surtos de pragas em todo o mundo, afetando muitas culturas, nomeadamente a cultura do café.

Importância do setor do café

A produção e o consumo de café aumentaram consideravelmente nas últimas décadas. Segundo dados do CSR ASIA, o consumo médio diário é de 2,25 bilhões de chávenas de café em todo o mundo, o setor do café movimentou cerca de 19 bilhões de US $ em 2015 e apoia a subsistência de 125 milhões de pessoas. Mais de 50% da produção global vem do Brasil, Vietnam e Colômbia. O setor do café é um setor muito importante na economia mundial daí o desenvolvimento de estudos sobre o impacto da mudança climática neste setor.

Como as mudanças climáticas afetam o café

De acordo com o Relatório do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), cerca de metade da terra produtora de café do mundo será inadequada até 2050.

Segundo o mesmo Relatório o aquecimento danificará principalmente o grão de grande qualidade, denominado Arábica, que cresce melhor entre os 18-21°C. Acima de 23 °C, a planta cresce muito rapidamente, comprometendo o rendimento, o aroma e o sabor. O Arábica constitui cerca de dois terços da produção mundial de café, mas está limitado aos planaltos subtropicais do Brasil, da América Central e da África Oriental.

O grão Robusta de menor qualidade apesar de ser mais resistente ao calor, é menos tolerante a grandes oscilações de temperatura e precipitação. Ambas as espécies sofrem de pragas, que causam mais de 500 milhões de US $ de prejuízo anual, segundo o CIAT. Com temperaturas mais elevadas estas pragas tendem a aumentar.

Com a mudança climática até 2050 cerca de metade da terra produtora de café do mundo será inadequada.

Atualmente as alterações do clima já afetam negativamente os produtores de café, ainda de acordo com o CIAT. A seca em 2014 no Brasil reduziu o rendimento da cultura do café do Brasil em um terço. Em 2012, uma epidemia da folha espalhou-se pela América Central e pela América do Sul após altas temperaturas e chuvas intensas. O fungo, relatado em regiões montanhosas colombianas anteriormente muito frias onde o fungo pudesse sobreviver, resultou em uma perda de colheita equivalente a 500 milhões de US $ e destruiu 50% da cultura de café da Guatemala.

A mudança climática implica que as zonas produtoras de café arábica do mundo - com 25 milhões de agricultores - podem sofrer mais. As zonas de maior risco são as regiões de baixas latitudes e baixas altitudes enquanto que as regiões de altitudes mais altas e regiões de latitudes mais altas podem sofrer impactos negativos menos pronunciados.

De acordo com o CIAT até 2050, se não forem tomadas medidas para diminuir o aquecimento global, a área global adequada para a produção de café pode ser reduzida para cerca de metade e quase 80% da terra atualmente usada para cultivar café arábica em regiões do Brasil, América Central e Vietnam pode tornar-se inadequada.

Isso poderia redistribuir as áreas globais de produção de café, em geral, longe do equador e mais acima nas montanhas. No entanto, esta redistribuição pode criar conflito com outros usos da terra, incluindo florestas, e provocar a migração dos países produtores de café. Além disso a realocação da produção para altitudes mais elevadas pode ser especialmente difícil para os agricultores familiares de pequena escala que compõem 80-90% dos produtores de café.

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