Icebergue gigante soltou-se da Antártida

O D28 possui uma área superior a 1600 km² e é o maior pedaço de gelo dos últimos 50 anos a separar-se da plataforma de Amery. Cientistas explicam que o fenómeno não está associado às alterações climáticas. Saiba mais aqui.

Alfredo Graça Alfredo Graça 03 Out. 2019 - 16:32 UTC
O icebergue D28 separou-se da plataforma de gelo Amery há uma semana atrás.

Um icebergue gigante, detentor de 1 636 km² de área, separou-se da plataforma de gelo Amery, na Antártida. Designado de D28 e com uma área de 1636 km2, o que o torna o maior em mais de 50 anos a desprender-se da Amery. Para termos uma noção clara, não falta muito para que possua a mesma área da península de Setúbal, que se estende por 1 729 km², ou seja, revela duas vezes a área da ilha da Madeira ou 16 vezes a área do concelho de Lisboa. Por causa do seu tamanho, o D28 terá de ser monitorizado permanentemente, pois poderá tornar-se perigoso para a navegação marítima. Projeta-se que a espessura do D28 atinja os 210 metros de profundidade e que possua 315 mil milhões de toneladas de gelo.

Os investigadores já antecipavam a separação dum icebergue na plataforma Amery. No entanto, o foco estava direcionado para uma área mais a Este da parte que acabou por se descolar. Esta território mais a Este é conhecido por “dente a abanar”, que, mesmo sendo instável, mantém-se presa. “É o molar comparado com o dente de leite”, explicita Helen Fricker, investigadora da Instituição Scripps de Oceanografia, em declarações à BBC News.

A equipa realça que não existe nenhuma conexão entre este acontecimento e as alterações climáticas. A ocorrência destes eventos é normal dado que numa frequência temporal de 60 a 70 anos, costumam dar-se separações de grandes icebergues. “Apesar de haver muitas preocupações em relação à Antártida, não há motivo para alarme no que diz respeito à plataforma de gelo Amery”, assegura Helen Ficker.

Sue Cook, investigadora do Instituto de Estudos Marinhos e Antárcticos, aponta, mesmo assim, que as alterações climáticas podem vir a contribuir para o aumento da separação de icebergues no futuro. “À medida que as águas à volta da Antárctida aquecerem, as plataformas de gelo vão ficar mais finas e mais vulneráveis a partirem-se”, explica em declarações à rádio australiana ABC.

A Amery apresenta-se como a terceira maior plataforma gelada da Antártida e consiste num importante canal de escoamento na região Este do continente. A neve e o gelo que circulam para o oceano acumulam-se a jusante, alimentando os glaciares que dão origem às plataformas. O descolar de icebergues trata-se duma forma de contrabalançar a neve e o gelo que se vão acumulando a montante. A Amery produziu o seu maior icebergue, com cerca de 9 mil km², no início da década de 1960.

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