Austrália luta contra incêndios florestais

Os incêndios florestais são comuns na Austrália durante o verão, mas os cientistas alertam que esta temporada começou mais cedo do que o habitual e com mais intensidade. Contamos-lhe mais aqui.

Teresa Abrantes Teresa Abrantes 14 Dez. 2019 - 12:09 UTC
Incêndios florestais na Austrália já queimaram cerca de 2 milhões de hectares desde julho.

Dezenas de incêndios de grandes proporções continuam ativos na Austrália. Este ano, têm sido as regiões mais a leste da Austrália as mais afetadas pelos incêndios florestais, particularmente o Estado de Queensland e o Estado de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney.

Regiões mais afetadas

De facto, só no Estado de Nova Gales do Sul foi perdida uma área cinco vezes maior que a cidade de Londres e três vezes maior que todos os incêndios do ano passado. Mais de 100 incêndios estão ainda ativos na região leste da Austrália, incluindo um de grande intensidade a norte de Sydney.

Os cientistas alertam que esta temporada começou mais cedo do que o habitual e com mais intensidade devido à seca prolongada que se tem feito sentir devido às condições climáticas criadas pelo aquecimento global.

Impactos dos incêndios

De acordo com as autoridades australianas, pelo menos seis pessoas já morreram desde o início de julho, cerca de dois milhões de hectares já arderam e centenas de casas ficaram destruídas. Incêndios florestais fora de controlo forçaram moradores do leste da Austrália a fugir de suas casas. Esta semana, o presidente da Aliança das Florestas do Nordeste da Austrália disse que os incêndios florestais que deflagram no leste do país já provocaram a morte a mais de 2.000 coalas. Com estatuto de espécie "vulnerável", cerca de 25% dos 8.400 coalas morreram este ano devido aos incêndios.

Uma enorme nuvem de fumo, gerada pelos 100 fogos florestais ativos no Estado de Nova Gales do Sul, cobriu Sydney. Há duas semanas que os mais de cinco milhões de habitantes de uma das maiores cidades australianas, acordam por baixo de um céu laranja coberto de fumo. "Os ventos fracos e o fumo abundante diminuíram os níveis de visibilidade em Sydney e arredores e a qualidade do ar é agora considerada perigosa para a saúde”, disseram as autoridades australianas.

A intensidade do fumo, provocada por uma frente de fogo com 60 quilómetros, numa zona de vegetação seca a norte de Sydney, já fez disparar vários alarmes de incêndio em casas e empresas, obrigando ao cancelamento dos transportes marítimos na cidade.

As leituras da qualidade do ar estão onze vezes mais nocivas do que o limiar considerado perigoso para a saúde humana. As autoridades aconselham o uso de máscaras ou de preferência evitar deslocações ao ar livre. Crianças nas escolas não devem brincar nos recreios, mas sim ficar dentro das salas de aula. Vários eventos ao ar livre foram cancelados.

Algumas das áreas mais afetadas da cidade atingiram concentrações bastante elevadas de partículas mais poluentes (PM2.5). As partículas PM2.5 estão relacionadas com desenvolvimento de doenças cardiovasculares e respiratórias e cancro, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além de Sydney, outras cidades como Newcastle ou Camberra excederam já os níveis de poluição, geralmente registados em Banguecoque ou em outras cidades asiáticas que registam frequentemente níveis elevados de poluição, de acordo com o Índice Mundial de Qualidade do Ar. Formado pela combinação de vários incêndios, este imenso fenómeno está agora sob controlo, mas continua a queimar cerca de 250.000 hectares numa área a uma hora de carro de Sydney.

Previsão das condições meteorológicas

As perspetivas não são muito animadoras visto que o Serviço Meteorológico Australiano prevê para o verão em grande parte do país, a continuação de tempo quente e seco.

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