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As geociências e o futuro: incêndios florestais e alterações climáticas discutidos em Viena

Na semana passada decorreu em Viena de Áustria, uma conferência a nível europeu sobre riscos de incêndios florestais, alterações climáticas e recursos. Em “Shape of Things to Come? The 2017 Wildfire Season”, António Ferreira, investigador do CERNAS falou sobre a realidade portuguesa.

Alfredo Graça Alfredo Graça 19 Abr. 2018 - 10:45 UTC
Incêndios Florestais em Portugal discutidos em Viena, capital da Áustria.

Com especial enfoque em 2017, o coordenador científico do Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade falou da área extensa que ardeu no último ano, quatro vezes superior ao normal.

O Caso Português

Foi na maior conferência europeia de Geociências, a EGU – European Geosciences Union General Assembly, decorrida de 8 a 13 de Abril em Viena, capital da Áustria, que na quarta-feira da semana passada, 11 de abril, o Prof. Dr. António José Dinis Ferreira, coordenador Científico do CERNAS – Centro de Estudos de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade, desde 2013, falou sobre a investigação dos trabalhos que recorrentemente tem vindo a apresentar.

Segundo o investigador português, entre tantos e outros fatores, a seca extrema na região Centro do país e a passagem de um ciclone tropical que produziu ventos muito fortes e quentes, resultaram em incêndios que consumiram 200 000 hectares. Ardidos em apenas dois dias as piores das expectativas foram mesmo superadas. Referiu ainda que tais acontecimentos podem vir a ser mais frequentes no futuro. Clique aqui para poder aprender com o vídeo da conferência que incluiu 4 especialistas. 

António Ferreira mencionou também a urgência em criar novas estratégias que reduzam o risco de incêndios bem como a necessidade de se preparar um território mais adaptado ao clima que temos. Falou da importância do aumento da diversidade florestal e económica nas regiões afetadas, bem como uma melhor educação a nível social e civil, para que se preservem as florestas portuguesas e suas zonas de risco, na prevenção e combate aos fogos que venham a acontecer de futuro.

Incêndios de 2016 e 2017 em Portugal

Os incêndios florestais têm sido uma verdadeira tragédia em Portugal nos últimos anos. Se em 2016, houve um alerta redobrado por parte de cientistas e académicos, especialistas nestas questões, que alertaram (novamente...!) para o perigo da “não-prevenção” relativamente a estes fenómenos naturais após os incêndios do verão de 2016, sobretudo aqueles que ocorreram em agosto desse ano, a verdade é que este tipo de processos naturais ou antrópicos – cientificamente falando – continuam a acontecer no nosso país com demasiada frequência.

As fatalidades de Pedrógão Grande ainda subsistem na memória territorial e na memória humana, quer em termos espaciais por toda a destruição evidente que deixou nos meses que se seguiram e que ainda são visíveis; quer em termos humanos porque aqueles que sobreviveram ainda se lembram destes acontecimentos trágicos.

Foi juntamente com David Peterson (EUA), Andreas Stohl (Noruega) e Etienne Tourigny (Espanha) que António Ferreira (na imagem encontra-se da segunda posição a contar da direita) falou. Foto de: Rita Guerreiro, Jornalista da Berlinda

Que medidas tomar?

Não faltou obviamente o típico debate em torno das medidas que os países devem adoptar para melhor combaterem os incêndios e se adaptarem às constantes mudanças dos seus padrões. E, por isso, reuniram-se especialistas vindos de todos os pontos do Globo que problematizaram sobre questões tão diversas como riscos de incêndio florestal, alterações climáticas e recursos.

No último dia da conferência, António Ferreira, discutiu a necessidade de implementação de medidas concretas e prioritárias para prevenir futuras catástrofes, adaptando o nosso país às alterações climáticas. 

Para mais informações: 

https://www.berlinda.org/ 

http://www.diasporalusa.pt/inv...

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