Tempo na segunda quinzena de setembro em Portugal: contrastes térmicos acentuados e menos chuva? Eis a previsão!

É certo que, nestes primeiros dias da segunda quinzena de setembro, Portugal continental estará “à mercê” de uma depressão fria isolada. Irá a instabilidade atmosférica manter-se, ou dissipar-se no que resta deste mês? E quanto às temperaturas? Contamos-lhe aqui!

Para a segunda quinzena de setembro avizinham-se possíveis mudanças na temperatura e precipitação. Abaixo analisamos o que se prevê para Portugal continental, Açores e Madeira.
Para a segunda quinzena de setembro avizinham-se possíveis mudanças na temperatura e precipitação. Abaixo analisamos o que se prevê para Portugal continental, Açores e Madeira.

Entre sábado, 16 de setembro e segunda, dia 18, o estado do tempo em Portugal continental estará a ser fortemente condicionado pela proximidade de uma depressão fria isolada que provocará períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes localmente fortes e acompanhados de trovoada, podendo ser pontualmente sob a forma de granizo. Em simultâneo, o vento soprará forte de Sul/Sudoeste (fluxo praticamente sempre associado a condições meteorológicas adversas) e as temperaturas propiciarão um ambiente mais fresco.

As regiões que somarão mais precipitação serão, de acordo com os modelos, a do Minho e a do Centro (entre Douro e Tejo). Ao cabo destas próximas 72 horas, prevê-se uma gradual dissipação da instabilidade atmosférica e, a partir de terça, 19 de setembro, espera-se a imposição de um estado do tempo mais estável na geografia do Continente.

Tempo menos chuvoso e mais fresco na próxima semana

Apesar do tempo mais estável que surgirá em Portugal continental a partir de terça-feira, dia 19, esta será uma situação meteorológica de “sol de pouca dura”, dado que não muito depois - isto é, cerca de 48 horas mais tarde - se prevê o regresso da chuva.

À data de hoje, o modelo Europeu (ECMWF) - aquele em que mais confiamos - antecipa para a próxima quinta-feira (21) a possível passagem de uma frente atlântica pelo nosso território Continental, gerada por uma depressão que passará pelas Ilhas Britânicas (Irlanda e Reino Unido), que produziria mais precipitação nas nossas latitudes.

Isto seria permitido pelo anticiclone dos Açores, que ao deslocar-se para uma posição mais a oeste do que o habitual, deixaria de exercer o efeito de “escudo” nas baixas pressões.

Para a próxima semana começa-se a desenhar a possibilidade de outro episódio chuvoso, em princípio no dia 21 de setembro.
Para a próxima semana começa-se a desenhar a possibilidade de outro episódio chuvoso, em princípio no dia 21 de setembro.

De acordo com o que se pode observar atualmente nos modelos determinísticos, esta frente descreveria o movimento típico das perturbações frontais desta época do ano, ao entrar pelo Noroeste de Portugal continental (Minho e Douro Litoral), numa trajetória NO-SE, produzindo maiores quantidades de precipitação e com maior frequência na metade a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, e sendo menos prováveis, menos frequentes e em menores quantidades a sul do mencionado acidente geográfico.

Ainda assim, tendo em conta que este é um modelo determinístico e que estamos a falar de um prazo temporal superior a 4 dias, a previsão meteorológica ainda pode vir a sofrer alterações significativas.

Realce-se que previsões do tempo com prazos de 7 dias e com modelos desta natureza, é como sujeitarmo-nos à ficção científica, pelo que aquilo a que nos referimos são uma tendência e não uma previsão na verdadeira aceção da palavra.

No cômputo global da semana entre segunda (18) e domingo (24) de setembro, apesar dos ocasionais episódios de precipitação, sendo que o mais proeminente poderá surgir na quinta-feira, dia 21, o tempo espera-se, ainda assim, mais seco do que o habitual em grande parte do país.

Prevê-se uma anomalia de precipitação negativa (10 mm de chuva inferior à média climatológica de referência) para quase todo o território do Continente, exceto no Alto Minho, área onde se prevê anomalia de precipitação positiva - (níveis de chuva superiores à média, isto é, até 10 mm acima do normal) e valores dentro da média em grande parte da Região Norte (à exceção da parte oriental do Nordeste Transmontano).

Próxima semana com temperaturas mais frescas em grande parte do território de Portugal continental.
Próxima semana com temperaturas mais frescas em grande parte do território de Portugal continental.

Quanto às temperaturas, espera-se um padrão regionalmente tripartido. De acordo com as atuais projeções do modelo Europeu, prevê-se tempo mais fresco que o habitual no Norte, Centro (exceto litoral entre Coimbra e Lisboa), Alto Alentejo e Alentejo Central, regiões onde se espera uma anomalia térmica negativa de até -1 ºC. Realce-se também a área correspondente à Serra da Estrela cuja anomalia ainda será mais vincada (até 3 ºC abaixo da média).

No extremo oposto, a região do Algarve, onde fará mais calor do que o normal. A atual previsão “denuncia” uma anomalia térmica positiva (até 1 ºC acima da média de referência). Nas restantes áreas do país - assinaladas no mapa a branco - não há previsão de anomalias estatisticamente significativas, uma vez que os valores térmicos deverão rondar a média.

E para a última semana de setembro, o que se vislumbra nos mapas?

Para a última semana de setembro (25 de setembro a 2 de outubro), ainda não é possível detetar o “jogo” que eventualmente será desenrolado pelos centros de baixas e altas pressões que compõem as diferentes teleconexões climáticas. Contudo, tendo em conta a atual projeção dos mapas de tendência semanal, quer para a temperatura, quer para a precipitação, é possível visualizar um padrão atmosférico caracterizado por temperaturas substancialmente acima da média e uma ausência total ou quase total de precipitação.

O tempo quente e seco é também outro dos estados do tempo que costuma surgir na época tardo-estival (transição do verão para o outono) e que precisamente iremos viver nessa semana, ao já se ter produzido - do ponto de vista astronómico - o equinócio de outono.

Para a última semana de setembro antecipa-se tempo, em geral, mais seco do que o normal, de norte a sul de Portugal continental.
Para a última semana de setembro antecipa-se tempo, em geral, mais seco do que o normal, de norte a sul de Portugal continental.

Portanto, não é de admirar a atual tendência de temperaturas e chuva prevista pelos mapas em Portugal continental na semana de 25 de setembro a 2 de outubro, que provavelmente estará relacionada com a movimentação do centro de altas pressões conhecido como Anticiclone dos Açores, que se deverá apresentar mais robusto e mais próximo do litoral do país.

Quanto ao elemento climático da temperatura, verifica-se uma anomalia térmica positiva bastante acentuada (entre 1 ºC e 3 ºC acima da média), e ainda por cima a cobrir a total extensão do país (dias de calor mais evidentes nessa semana). Quanto ao elemento climático da precipitação, espera-se tempo seco ou com quantidades residuais de chuva no nosso país.

E para os Açores e Madeira, que se prevê?

Ambos os Arquipélagos registarão temperaturas acima da média na segunda quinzena de setembro, prevendo-se, no geral, anomalia térmica positiva (1 ºC). De acordo com as atuais previsões, a última semana do mês de setembro será de destaque na Madeira, esperando-se até 3 ºC acima da média.

Quanto ao elemento climático da precipitação, prevê-se no geral tempo seco ou com valores dentro da média de referência, tanto nos Açores, como na Madeira, exceto no G. Ocidental dos Açores (Corvo e Flores) na semana de 25 a 2 de outubro, altura em que se estima quantidades de chuva possivelmente acima do normal (até 10 mm acima da média).