O modelo europeu alterou a previsão da circulação atmosférica para junho: quais as alterações em Portugal?

O modelo europeu reviu a circulação atmosférica para junho, apontando agora para uma segunda metade do mês mais dinâmica em Portugal, com alternância entre calor intenso, períodos de estabilidade e episódios de instabilidade.

Portugal entre calor intenso, trovoadas e chuva. Os próximos dias trazem mudanças rápidas no estado do tempo.
Portugal entre calor intenso, trovoadas e chuva. Os próximos dias trazem mudanças rápidas no estado do tempo.

Os mais recentes cálculos do modelo europeu ECMWF para os Sub-seasonal Weather Regimes (Regimes atmosféricos na Europa-Atlântico Norte) introduziram alterações relevantes na previsão da circulação atmosférica para a segunda metade de junho.

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Se há poucos dias o cenário apontava para um domínio quase contínuo do regime Scandinavian Blocking, a atualização mais recente mostra uma atmosfera muito mais dinâmica, com alternância entre diferentes regimes e períodos sem um padrão dominante.

Entre 11 e 15 de junho o calor intenso será seguido de instabilidade

Os primeiros dias após 10 de junho deverão ser marcados por uma circulação pouco definida, permitindo que uma massa de ar muito quente se instale sobre a Península Ibérica.

A previsão do ECMWF mostra uma atmosfera mais dinâmica e menos bloqueada, com alternância entre diferentes regimes e vários dias em que não existe um regime claramente dominante (cinzento).
A previsão do ECMWF mostra uma atmosfera mais dinâmica e menos bloqueada, com alternância entre diferentes regimes e vários dias em que não existe um regime claramente dominante (cinzento).

Este cenário irá favorecer uma subida generalizada das temperaturas e uma diminuição do vento relativamente aos dias anteriores. Contudo, entre 13 e 15 de junho, o reforço temporário do regime Scandinavian Blocking (Bloqueio Escandinavo) poderá alterar novamente o estado do tempo.

Entre 13 e 15 de junho, uma pequena quantidade de água precipitável poderá aproximar-se da Península Ibérica. A interação entre ar muito quente (já presente) e humidade atlântica poderá favorecer aguaceiros e trovoadas no Norte e Centro e Sul.
Entre 13 e 15 de junho, uma pequena quantidade de água precipitável poderá aproximar-se da Península Ibérica. A interação entre ar muito quente (já presente) e humidade atlântica poderá favorecer aguaceiros e trovoadas no Norte e Centro e Sul.

A aproximação de água precipitável vinda do Atlântico poderá originar aguaceiros e trovoadas no Norte e Centro e Sul de Portugal, localmente moderados ou fortes, devido ao contraste entre a massa de ar muito quente instalada e a humidade proveniente do Atlântico.

Se a atual tendência se confirmar, esta situação poderá prolongar-se até segunda-feira, dia 15 de junho, antes de nova reorganização da circulação atmosférica.

A segunda metade de junho poderá ser mais variável

Ao contrário do que indicavam as previsões anteriores, o novo ensemble do ECMWF deixa de mostrar um bloqueio escandinavo persistente durante toda a segunda metade do mês. Entre 15 e 20 de junho, observa-se uma sucessão de períodos sem regime dominante, alternados com fases de NAO+ e de Scandinavian Blocking, tornando a evolução atmosférica bastante mais incerta.

Esta alternância favorece rápidas mudanças no estado do tempo e dificulta a instalação prolongada de um padrão estável sobre Portugal.

Nova instabilidade prevista entre 17 e 19 de junho

Os mapas sinópticos mais recentes sugerem uma nova fase de instabilidade entre 17 e 19 de junho, podendo trazer precipitação moderada a Portugal Continental e à restante Península Ibérica.

A 18 de junho, os mapas do ECMWF sugerem nova aproximação de instabilidade sob a Península Ibérica, com possibilidade de precipitação moderada em Portugal, sobretudo nas regiões do interior Norte e Centro.
A 18 de junho, os mapas do ECMWF sugerem nova aproximação de instabilidade sob a Península Ibérica, com possibilidade de precipitação moderada em Portugal, sobretudo nas regiões do interior Norte e Centro.

Apesar deste aumento da instabilidade, as temperaturas poderão continuar elevadas no Sul do país, enquanto o Norte e parte do Centro poderão registar uma descida térmica devido ao aumento da nebulosidade e da precipitação.

Um mês de junho menos previsível do que parecia

As atualizações mais recentes do ECMWF evidenciam que a circulação atmosférica sobre o Atlântico Norte e Europa continua bastante dinâmica e sujeita a reajustes diários.

Em vez de um bloqueio persistente durante várias semanas, o modelo europeu aponta agora para uma alternância entre diferentes regimes atmosféricos, traduzindo-se em períodos de calor intenso intercalados por episódios de instabilidade.

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