"Zumbido atmosférico": o som que te alerta para uma possível descarga de mais de 100 milhões de volts à tua volta

Antes de cair um raio, a atmosfera pode dar sinais. O zumbido atmosférico é um sinal do perigo iminente que se está a formar à nossa volta. Eis o que deves fazer se o ouvires.

Os relâmpagos são descargas elétricas atmosféricas que ocorrem quando se acumula uma grande quantidade de carga elétrica entre as nuvens, o solo e outros objetos próximos.

O sinal mais evidente da possibilidade de ocorrência de relâmpagos é a presença de grandes nuvens com desenvolvimento vertical, acompanhadas de ventos e precipitação. Mas, por vezes, o sinal de alarme chega através dos nossos ouvidos, pele e cabelos.

As imagens captadas pelo alpinista mostram um ambiente nublado, com alguns flocos de neve muito dispersos. Embora geralmente associemos os relâmpagos a tempestades intensas com chuva abundante e violenta, granizo e ventos fortes, por vezes a descarga elétrica ocorre em ambientes onde a precipitação (chuva ou neve) é quase inexistente, num fenómeno conhecido como trovoada seca. Os relâmpagos também ocorrem nas chamadas tempestades de neve.

Tal como se ouve no vídeo gravado por um alpinista numa montanha na Rússia, é possível ouvir um zumbido antes da queda de um raio. Este zumbido, que aumenta de volume, está associado à intensificação do campo elétrico e à ionização do ar — quando este adquire carga elétrica, devido à perda ou ganho de um eletrão —, um sinal da iminência da descarga elétrica.

O poder dos raios: entre 100 e 1 000 milhões de volts e milhares de amperes

Quando falamos de raios, tanto a diferença de potencial (volts; o que provoca a descarga) como a corrente (amperes; a quantidade de carga elétrica que produzem) são de grande importância, pois é esta combinação de grandes magnitudes que torna as descargas atmosféricas um perigo com potencial para causar a morte de uma pessoa.

A grande quantidade de energia libertada por uma descarga elétrica atmosférica pode fazer com que o ar mude de estado, transformando as moléculas de gás em plasma.

Quando vemos um relâmpago, estamos a ver um canal de plasma que se formou no ar, que brilha devido às temperaturas extremamente elevadas que atinge, muito mais quentes do que a superfície do Sol.

Os relâmpagos podem atingir qualquer superfície, e a direção que tomam depende do percurso onde haja maior ionização, mas, em geral, preferem seguir em direção a superfícies pontiagudas (para-raios, copas das árvores, cantos dos telhados dos edifícios ou até mesmo uma pessoa).

Por isso mesmo, é de vital importância procurar abrigo perante uma tempestade elétrica iminente. O mais seguro é permanecer dentro de casa ou dentro de um veículo, que funciona como uma gaiola de Faraday. Mas se estiveres ao ar livre e sem um abrigo seguro, podes seguir estas medidas para diminuir a probabilidade de seres atingido por um raio.

  • Afasta-te de massas de água;
  • Procura locais mais baixos;
  • Mantém-te afastado de árvores, postes e estruturas metálicas;
  • Retira os objetos metálicos do teu corpo (relógios, colares, brincos, telemóveis, etc.);
  • Agacha-te (não te deites no chão), protegendo a cabeça e evitando deixar os cotovelos expostos. Apenas os teus pés devem estar em contacto com o solo. Desta forma, minimizarás a superfície de contacto.