Agosto em Portugal: anticiclone reforça-se no início do mês, mas tendência a longo prazo do ECMWF vislumbra mudanças
Este verão climatológico Portugal tem sido relativamente poupado das ondas de calor que têm assolado a Europa, tendo registado apenas uma no início de julho. O modelo de referência da Meteored atualizou a previsão para o mês de agosto. Saiba mais aqui!

Diferentemente de outros países da Europa Meridional e Ocidental, Portugal continental tem sido relativamente poupado à ocorrência de ondas de calor neste verão de 2026, tendo registado apenas um episódio mais severo durante os primeiros 7 a 8 dias de julho. O que poderemos esperar então do tempo para o mês de agosto, de acordo com as atuais tendências do modelo europeu?
Agosto é o mês climatologicamente mais quente do ano em Portugal
Em primeiro lugar, importa recordar que agosto é o mês mais quente do ano em Portugal continental, seguido de julho, de acordo com a normal climatológica 1991-2020. A temperatura média máxima em agosto é de 29,89 ºC.
À exceção da estação meteorológica de Sines (distrito de Setúbal), a temperatura média mensal de agosto evidencia um claro contraste entre a metade setentrional do Continente, onde varia entre 20 e 22 ºC, e a metade meridional, onde oscila entre 23 e 25 ºC.
Embora residual, a chuva pode surgir em agosto devido às frentes atlânticas e gotas frias
A precipitação média acumulada em agosto apresenta um enorme contraste na nossa geografia. Enquanto no Noroeste os valores são significativamente superiores à média do Continente para um dos meses mais secos do ano, devido à influência intermitente de algumas frentes atlânticas, a sul do Tejo a precipitação é residual. Esta diferença explica-se pela latitude, pelo efeito de barreira imposto pelo sistema montanhoso Montejunto-Estrela e pela influência do anticiclone dos Açores.

Contudo, nem o anticiclone dos Açores nem a latitude impedem que algumas regiões do Continente sejam, por vezes, afetadas pelas gotas frias durante os meses de agosto. Para os agricultores, este pode ser um mês particularmente temível, dado que uma depressão isolada em altitude ou o desenvolvimento de convecção intensa podem originar aguaceiros, acompanhados de trovoadas e, em ocasiões mais severas, episódios de granizo potencialmente catastróficos.
O padrão NAO positiva irá dominar temporariamente
A previsão subsazonal do modelo ECMWF aponta para uma mudança no padrão meteorológico coincidente com o início de agosto, trazendo algumas novidades, embora sem indícios de uma alteração drástica das condições atmosféricas.
A pressão atmosférica é mais elevada do que o habitual nos Açores e mais baixa na Islândia. Este contraste reforça o anticiclone do Atlântico Norte, favorecendo a sua extensão até à Península Ibérica. Consequentemente, a estabilidade atmosférica tende a consolidar-se com predomínio de tempo seco e relativamente estável, impulsionado pelas altas pressões.
A partir de quinta-feira, 30 de julho, espera-se que o padrão NAO+ se comece a instalar, prolongando-se até segunda-feira, 3 de agosto.
Um agosto ameno ou ligeiramente mais quente do que o normal, mas com tempo mais variável
Tudo indica que o período de NAO positiva será temporário. A partir de terça-feira, 4 de agosto, os cenários do ECMWF evidenciam um aumento da variabilidade atmosférica, e consequentemente da incerteza na evolução do estado do tempo. Caso esta tendência se confirme, Portugal continental poderá entrar numa fase marcada por uma alternância mais frequente entre períodos de estabilidade e episódios de instabilidade.
No conjunto, agosto deverá registar temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média climatológica de referência. No entanto, esse sinal não será uniforme em toda a geografia e, de momento, não há indícios de ondas de calor semelhantes à registada no início de julho.

Na previsão para agosto denota-se o facto de não se vislumbrar nenhum padrão claramente dominante, o que favorece uma maior diversidade de estados do tempo ao longo do mês. Além disso, parece pouco provável que se mantenha a sucessão de ondas de calor que afetaram várias regiões da Europa nos meses de junho e julho. Neste contexto, Portugal poderá continuar relativamente menos exposto a estes episódios extremos, embora seja ainda cedo para excluir totalmente a sua ocorrência.
A maior dinâmica atmosférica prevista para agosto poderá ser favorável à descida de bolsas de ar frio para latitudes mais baixas, como a nossa, gerando condições mais propícias ao desenvolvimento de instabilidade. Deste modo, aumenta a probabilidade de aguaceiros e trovoadas, sobretudo durante a segunda quinzena do mês, período em que estes fenómenos tendem a tornar-se mais frequentes.

Tendo em conta o mapa de previsão de anomalias de precipitação do modelo Europeu, o interior Norte e Centro de Portugal continental - distritos de Vila Real, Viseu, Bragança, Guarda e Castelo Branco - poderá concentrar a maior probabilidade de ocorrência de trovoadas. Este cenário converge com o comportamento climatológico habitual da época estival, quando estas regiões costumam registar maior atividade convectiva durante a fase final do verão climatológico.