Avizinham-se mudanças na dinâmica atmosférica que afeta Portugal: "já não se veem bloqueios duradouros nos mapas"

O calor deverá manter-se durante o ínicio de agosto, sobretudo no interior. Ainda assim, os modelos apontam para uma atmosfera dinâmica, com oscilações nas temperaturas e possibilidade de chuva fraca em algumas regiões.

Os modelos meteorológicos continuam a indicar uma persistência do tempo quente nos primeiros dias de agosto, tanto na Península Ibérica, como no sul da Europa. Apesar de algumas oscilações, a tendência aponta para temperaturas acima da média em grande parte do país.
Os modelos meteorológicos continuam a indicar uma persistência do tempo quente nos primeiros dias de agosto, tanto na Península Ibérica, como no sul da Europa. Apesar de algumas oscilações, a tendência aponta para temperaturas acima da média em grande parte do país.

Os modelos meteorológicos de médio e longo prazo apontam para uma primeira quinzena de agosto marcada por uma atmosfera dinâmica. Embora o calor continue a dominar grande parte do território, a circulação atmosférica deverá alternar entre diferentes regimes, favorecendo pequenas oscilações nas temperaturas e a possibilidade de episódios ocasionais de precipitação.

A atmosfera entra numa fase dinâmica

Um dos principais indicadores para este tipo de previsão é o gráfico de probabilidades dos regimes atmosféricos euro-atlânticos do ECMWF.

O gráfico do ECMWF mostra uma alternância entre o regime Atlantic Ridge, períodos sem padrão dominante e uma possível fase de NAO+. Esta sucessão indica uma atmosfera dinâmica, sem bloqueios persistentes ao longo da previsão.
O gráfico do ECMWF mostra uma alternância entre o regime Atlantic Ridge, períodos sem padrão dominante e uma possível fase de NAO+. Esta sucessão indica uma atmosfera dinâmica, sem bloqueios persistentes ao longo da previsão.

Atualmente, Portugal encontra-se sob a influência do regime Atlantic Ridge (ATR), caracterizado por um reforço das altas pressões no Atlântico Norte e por uma área de baixas pressões sobre a Escandinávia. Durante o verão, este padrão costuma favorecer tempo estável em Portugal, mas essa estabilidade também potencia temperaturas elevadas, uma vez que limita a entrada de massas de ar atlânticas mais frescas e húmidas. Como consequência, mantém-se elevado o risco de incêndio rural em grande parte do país.

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Os dias 29 e 30 de julho deverão decorrer sem um regime atmosférico dominante. Seguir-se-á uma provável fase de Oscilação do Atlântico Norte positiva (NAO+) até cerca de 3 de agosto, antes de um novo período de transição e do regresso do Atlantic Ridge por volta de 9 de agosto. Ao longo deste horizonte de previsão já não se veem bloqueios duradouros nos mapas, sinal de uma circulação mais variável.

O calor deverá persistir, sobretudo no interior

O dia de hoje poderá ser o mais quente da semana, com temperaturas próximas dos 40 °C em várias regiões do interior. Apesar de se prever algum alívio térmico no litoral nos próximos dias, o interior deverá continuar sob influência de massas de ar muito quentes.

O dia 28 poderá ser o mais quente da semana, com máximas próximas ou iguais a 40 °C em várias regiões do interior. Junto ao litoral, a influência marítima mantém valores mais moderados, mas ainda assim, elevados para o litoral.
O dia 28 poderá ser o mais quente da semana, com máximas próximas ou iguais a 40 °C em várias regiões do interior. Junto ao litoral, a influência marítima mantém valores mais moderados, mas ainda assim, elevados para o litoral.

Os mapas de geopotencial e temperatura aos 850 hPa mostram que o ar quente proveniente do Norte de África continuará a expandir-se pela Península Ibérica e pelo sul da Europa, pelo menos até cerca de 5 de agosto.

A massa de ar quente proveniente do Norte de África deverá continuar a estender-se pela Península Ibérica e pelo sul da Europa. Em Portugal, a intensidade do calor dependerá também da direção do vento e da capacidade de entrada do ar atlântico.
A massa de ar quente proveniente do Norte de África deverá continuar a estender-se pela Península Ibérica e pelo sul da Europa. Em Portugal, a intensidade do calor dependerá também da direção do vento e da capacidade de entrada do ar atlântico.

Mesmo sem o núcleo desta massa de ar se posicionar diretamente sobre Portugal, bastará um fluxo de leste ou sudeste para transportar ar muito quente do interior de Espanha.

No início de agosto, as temperaturas deverão continuar elevadas no Alentejo, Algarve e distrito de Castelo Branco, enquanto o litoral Norte e parte do Norte interior poderão beneficiar de maior influência atlântica e manter valores mais moderados.

Alguma chuva, mas sem alterar a tendência dominante

Além da temperatura, os modelos admitem alguns episódios de precipitação até cerca de 7 de agosto. Os acumulados previstos são baixos e distribuem-se sobretudo pelo Norte, litoral Norte e Centro, podendo também atingir pontualmente os distritos de Lisboa e Santarém e região da Serra da Estrela.

O mapa indica a possibilidade de chuva fraca e dispersa, sobretudo no Norte e no litoral Norte e Centro, podendo também atingir pontualmente Lisboa e Santarém. Por representar precipitação acumulada, não nos informa sobre a hora exata dos episódios.
O mapa indica a possibilidade de chuva fraca e dispersa, sobretudo no Norte e no litoral Norte e Centro, podendo também atingir pontualmente Lisboa e Santarém. Por representar precipitação acumulada, não nos informa sobre a hora exata dos episódios.

Importa, contudo, recordar que este mapa representa apenas a precipitação acumulada ao longo de vários dias e não indica o momento exato em que poderá chover. Assim, a tendência dominante para os próximos dias continua a ser de tempo quente, com calor persistente no interior e apenas interrupções pontuais por chuva fraca e dispersa.

Sendo esta uma previsão de longo prazo, o objetivo é identificar tendências da circulação atmosférica e não fazer uma previsão detalhada. Assim, a localização e quantidade da precipitação, bem como os valores exatos de temperatura, poderão ainda sofrer alterações nas próximas atualizações dos modelos.