Mudança brusca de temperaturas de origem transatlântica: chegará na segunda-feira 12 a Portugal após percorrer 4000 km

A depressão Goretti impulsionou uma massa de ar polar marítimo, fresco e húmido, para Portugal continental. Porém, uma massa de ar bastante diferente irá afetar o nosso país dentro de poucos dias.
A depressão Goretti foi a responsável pela chegada de uma massa de ar polar marítimo. Este ciclone sofreu um processo de ciclogénese explosiva, dando origem a uma perigosa tempestade que evitou a Península Ibérica, mas que afetando a França, o sul do Reino Unido e vários outros países europeus.
Não obstante, a sua frente fria associada chegou a Portugal continental, gerando chuva típica de dias normais de inverno e também alguns aguaceiros de neve, com acumulação residual e restringida apenas a altitudes mais elevadas (a partir dos 1000/1200 metros de altitude).
A configuração sinóptica prevista para o arranque da próxima semana terá origem a mais de 4000 km de distância de Portugal continental, sendo que o ar tropical marítimo que nos afetará será procedente das Caraíbas-Golfo do México, zona geográfica cujo mar se situa para além do Atlântico, daí o prefixo “trans” em transatlântico, e com temperatura à superfície quente o suficiente para alimentar estes sistemas (26 ºC).
Todos os cenários de previsão indicam que o próximo sistema a afetar-nos não o fará da mesma forma, sugerindo que uma depressão muito cavada se estabelecerá a oeste de Portugal continental a partir do próximo domingo e especialmente durante a segunda-feira, 12 de janeiro.
Uma vez estabelecida, esta baixa pressão transportará na sua circulação um fluxo de sul e sudoeste que arrastará uma massa de ar tropical marítimo, húmido e ameno, para Portugal continental, Espanha e vários países da Europa Ocidental.
As temperaturas vão subir temporariamente para valores acima da média
A presença da massa de ar tropical marítima sobre Portugal continental provocará uma subida significativa das temperaturas, especialmente das mínimas e em particular no domingo (11) e na segunda-feira (12). Embora não estejam previstos valores extremos, os mapas denunciam registos de temperatura entre 1 e 5 ºC acima dos valores médios de referência para janeiro, com as anomalias térmicas positivas mais acentuadas no interior Norte e na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Porém, é provável que esta subida das temperaturas seja de curta duração, uma vez que à medida que a depressão for avançando e perder a sua força, o ar quente abandonará a nossa geografia. Então, graças à baixa insolação atmosférica da estação invernal, o nosso país voltará a arrefecer, criando a sua própria massa de ar frio continental (a Península Ibérica funciona como um mini-continente) até que o próximo sistema nos perturbe novamente.
Chuva abundante à vista em Portugal continental
Com o estabelecimento da situação sinóptica descrita, outro elemento climático que assumirá protagonismo na meteorologia da próxima semana será a precipitação, neste caso sob a forma de chuva.
Será mais provável e frequente nas regiões a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, sendo de destacar a sua intensidade nos distritos situados a oeste da Barreira de Condensação e na zona da Serra da Estrela, segundo revelam os mapas de referência da Meteored: Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Guarda e setores ocidentais de Vila Real e Viseu.

Não se descarta que afete outras regiões centrais e meridionais do país, no entanto, ainda persiste uma grande incerteza na distribuição e intensidade da precipitação.
De momento, o horizonte temporal da previsão não permite determinar com precisão a evolução da situação sinóptica após a passagem da depressão e da frente fria. No entanto, a maioria dos cenários indica um possível reforço do fluxo zonal (ventos de Oeste) a baixa latitude, o que colocaria Portugal continental na rota de mais frentes e depressões provenientes do Atlântico.