Ecopomares de Alcobaça atraem biliões de polinizadores na floração de abril
As práticas de agroecologia dos produtores do Oeste aumentaram a biodiversidade de insetos, elevaram a produção, reduziram o uso de pesticidas e melhoraram a qualidade nutricional da maçã.

Os pomares da região Oeste entram, em abril, num dos momentos mais intensos do seu ciclo. Milhões de macieiras cobrem-se de flores e transformam a paisagem num mosaico branco e rosa, atraindo visitantes que, para os agricultores, são muito bem-vindos. Entre pétalas e ramos, desenrola-se um movimento incessante de insetos polinizadores que garante o futuro da produção. Abelhas, moscas, escaravelhos e outras espécies percorrem as árvores numa coreografia precisa e vital para que cada flor possa dar origem a fruto.
Nos pomares associados à Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça (APMA), este fenómeno ganhou uma nova dimensão. Ao longo dos últimos anos, as práticas de agroecologia alteraram a forma como estes espaços são geridos, criando condições mais favoráveis à presença e diversidade de insetos. O resultado torna-se particularmente visível nesta altura do ano, quando a floração atinge o auge e a atividade biológica se intensifica.
Um exército invisível entre flores
Estima-se que mais de seis milhões de macieiras estejam em floração nesta região, gerando milhares de milhões de flores. Cada uma representa uma relação de simbiose na natureza e uma dependência. Sem polinização, não há fruto. É aqui que os insetos entram em cena. A sua presença pode atingir números difíceis de imaginar. Durante a primavera, os pomares tornam-se pontos de atração para biliões de visitantes minúsculos.

Nem todos desempenham o mesmo papel. Para além das abelhas, existem espécies menos conhecidas, mas altamente especializadas na polinização das macieiras. Algumas revelam uma eficiência superior, adaptadas ao ritmo e à estrutura das flores. Outras acumulam funções ao longo do seu ciclo de vida. Enquanto adultas, transportam pólen entre flores e, na fase larvar, alimentam-se de pragas, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema.
Este duplo papel tem sido central na transformação dos ecopomares da APMA. Ao favorecer habitats naturais e reduzir intervenções agressivas, os produtores criam condições para que estas populações se estabeleçam e prosperem. A presença contínua de insetos ao longo do ano permite não só assegurar a polinização, mas também reduzir a necessidade de controlo químico de pragas.
O detalhe que faz a diferença
Uma única macieira pode produzir entre mil e cinco mil flores durante a floração. Basta, no entanto, uma pequena percentagem ser fecundada para garantir uma colheita satisfatória. Este detalhe evidencia a importância da eficiência dos polinizadores. Não se trata apenas de quantidade, mas da qualidade da interação entre o inseto e a flor.
Após o período de floração, a estratégia ajusta-se ao desenvolvimento dos pomares. As populações de insetos passam a atuar na redução de pragas. Os pulgões tornam-se uma das principais fontes de alimento para as larvas, equilibrando um ciclo em que a biodiversidade é central para o equilíbrio da Natureza.
Um modelo em expansão
A Maçã de Alcobaça IGP (Identidade Geográfica Protegida) é hoje assegurada num sistema que procura integrar produção agrícola e processos naturais. As nove variedades cultivadas na região, entre as quais Fuji, Pink, Golden, Gala ou Reineta, representam uma produção anual que pode chegar a 70 mil toneladas.

O objetivo passa agora por ampliar este modelo. A meta é atingir uma centena de ecopomares até ao final de 2026 e aumentar em 80% o peso dos sistemas ecológicos na produção total. Em paralelo, decorrem iniciativas para levar a Maçã de Alcobaça a novos mercados internacionais, reforçando a presença em países da América Latina e na Europa.
Nos campos do Oeste, a transformação não se faz com máquinas e pesticidas. A mudança ocorre numa dimensão microscópica e num movimento contínuo de insetos entre flores para que, no verão, dê frutos.
Referência do artigo
Maçãs boa onda e na onda da sustentabilidade. Associação de Produtores de Maçã de Alcobaça
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