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As monções e a Índia: uma relação articulada

Os sistemas de Monções são inerentes à circulação atmosférica sobre os continentes tropicais e subtropicais, e as áreas oceânicas adjacentes, particularmente no hemisfério oriental (leste da Ásia, e mais a sul, na Índia). Estão relacionados com a TSM, o ENOS e o DOI.

Mónica Barbosa Mónica Barbosa 15 Set. 2018 - 10:28 UTC
Falamos de manifestações meteorológicas originadas por anomalias na temperatura da superfície do mar, pressão ao nível do mar e padrões do vento.

As Monções, predominantes no sul e sudeste da Ásia são consequência, no inverno, de ventos que se deslocam do continente para o oceano (transportando ar frio e seco) e no verão do oceano para o continente (revertendo com ar quente e húmido), causando respectivamente meses de estiagem e chuvas abundantes e, portanto, as chuvas torrenciais na Índia são consequência das monções de verão.

A palavra monção costuma ser usada para descrever qualquer tipo de chuva forte, mas na verdade, uma monção não tem a ver só com a chuva. É uma alteração sazonal no padrão do vento que tende a resultar em chuvadas muito fortes. Ou seja, as monções são um tipo de variação climática, caracterizado por um contraste sazonal de precipitação, que propicia a ocorrência de intensas chuvas no verão e secas rigorosas durante no inverno.

Isto é, no subcontinente indiano, o calor estival, oriundo do oceano Índico, por isso rico em humidade, cria uma baixa pressão, forçando o ar a subir as grandes formações montanhosas (Himalaias), e as nuvens descarregam a sua carga na forma de chuva torrencial, num processo que dura semanas.

Mas, há neste fenómeno meteorológico uma particularidade positiva, é o facto de a monção ser bastante previsível. Por exemplo, a época entre junho e setembro, caracteriza-se por um período de muito calor, humidade e intensa precipitação. Nos meses da monção, na Índia, cai cerca de 75% do volume de chuva anual. E, a região mais húmida é Meghalaya, num planalto situado a cerca de 1.800m de altitude nos montes Khasi. Megahalaya localiza-se na rota do vento constante meridional que atravessa a baía de Bengala, e, quando as nuvens sobem e arrefecem sobre as colinas, é como espremer uma esponja!

Cherrapunjee deteve o recorde anual, entre 1960-61, com mais de 26.450mm e, em 1995, com o registo da maior pluviosidade em 48h – 2.489mm!

E qual o lugar mais húmido do mundo?

Esta usual precipitação intensa, deu origem a uma certa “rivalidade local” - num lado, está a aldeia de Mawsynram, que recebe cerca de 11.860mm de chuva por ano, (equivalente a cerca de 25mm de chuva em todos os dias de um ano), e noutro lado, está Cherrapunjee, situada a cerca de 1.600m de altitude (montes Khasi), e que recebe em média 11.430mm de chuva por ano. Só para dar uma ideia, é como submergir um autocarro na vertical! Mas os valores de pluviosidade no mundo flutuam tanto, que o título de região mais “molhada” estará sempre em discussão!

Os eventos extremos de precipitação, geralmente desencadeiam fenómenos hidrológicos (temporários), que alteram consideravelmente as características habituais das regiões, com nefastas consequências económicas, sociais, e inclusive, com perdas de vidas humanas. Consideram-se, no caso da Índia, factores como a elevada densidade demográfica aliada à falta de condições de saneamento/salubridade, e agravada por um inexistente ordenamento do edificado, elementos catalisadores de grandes catástrofes.

É assim de determinante importância, uma abordagem integrada para a gestão de riscos de inundações, a fim de mitigar os efeitos que estes eventos impelem às dinâmicas e segurança das regiões.

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