Massas de ar frias e quentes: o que são?

Para além dos centros de alta e baixa pressão, existem outros mecanismos pertencentes à circulação geral da atmosfera, que interferem com os estados de tempo ao longo das estações do ano. Descubra mais aqui.

Joana Campos Joana Campos 15 Dez. 2019 - 18:00 UTC
Com a aproximação da frente fria, o estado de tempo altera-se.

Entende-se por massa de ar uma extensa porção da atmosfera que, no plano horizontal, apresenta características físicas (temperatura, humidade e densidade) muito homogéneas. As massas de ar adquirem as propriedades das regiões sobre as quais estacionaram durante um longo período de tempo e transportam-nas para as regiões para onde se deslocam. Quando isto acontece, estas podem sofrer maiores ou menores alterações, de acordo com a trajetória que efetuaram e com o tempo gasto na deslocação. Por exemplo, se tiverem uma trajetória marítima tornam-se húmidas, acontecendo o contrário se a deslocação incluir um percurso continental.

Estas massas de ar podem ser tropicais, tendo origem nos anticiclones subtropicais, formando-se sobre os oceanos ou sobre os continentes, sofrendo deslocações sazonais para norte e para sul, no Verão e no Inverno, respetivamente. Mas também podem ser polares, originando-se nas latitudes mais elevadas e deslocando-se para sul no Inverno, e para norte no Verão.

Quando duas massas de ar de temperatura e humidade diferentes entram em contacto, não se misturam, encontrando-se separadas por uma linha de descontinuidade, designada por superfície frontal. Estas superfícies apresentam uma configuração oblíqua em relação à superfície terrestre, uma vez que o ar frio, mais denso, tende a colocar-se por baixo do ar quente. A interseção da superfície frontal com a superfície da terra designa-se por frente.

Frente polar

A frente que mais afeta o território português, condicionando com frequência, os estados de tempo no Inverno, é a frente polar. A frente polar, numa fase inicial, caracteriza-se pela formação de ondulações que se tornam progressivamente, mais pronunciadas e vigorosas - as perturbações frontais.

A passagem de uma perturbação da frente polar dá origem a tempo muito instável à passagem da frente quente e frente fria. Formam-se nuvens de desenvolvimento vertical, que dão origem a aguaceiros fortes, frequentemente acompanhados de vento intenso e trovoada. Uma vez que a superfície frontal fria é pouco extensa, este estado de tempo é de curta duração.

Frente quente

A superfície frontal quente é denominada pelo ar quente tropical que, por ser mais leve, se sobrepõe ao ar frio. Ela é muito extensa, podendo afetar uma grande extensão da superfície terrestre, tendo um declive muito fraco, pelo que a subida do ar quente se faz muito lentamente.

Ao subir, o ar arrefece formando nuvens de desenvolvimento horizontal que originam chuvas contínuas e de longa duração. A temperatura é, geralmente, mais baixa e ocorre vento fraco, podendo prever-se uma melhoria temporária no estado de tempo.

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