6 produtos básicos consumidos na Europa provêm de países sem recursos para se adaptarem às alterações climáticas
Segundo uma investigação mais de metade das importações de 6 produtos básicos consumidos na Europa provêm de países vulneráveis ao clima, com recursos limitados para se adaptarem. Descubra aqui quais são!

A União Europeia (UE) não é autossuficiente em produtos de base essenciais, como o milho, o arroz e o trigo, nem em produtos de importação essenciais para a produção agroalimentar, como o cacau, o café e a soja.
Este facto tem implicações importantes tanto para a segurança alimentar europeia como para as empresas nacionais segundo um relatório publicado sobre as ameaças climáticas às importações de produtos alimentares, pela Foresight Transitions.

Além disso, três destes produtos, o trigo, milho e cacau, correm também um risco significativo de impactos relacionados com a biodiversidade, amplificando a ameaça ao abastecimento já colocada pelo clima e aumentando a quantidade de produção em risco.
Risco de escassez e aumento de preço
Para além do risco de escassez, existe tambem a possibilidade do aumento dos preço destes 6 produtos, devido às alterações climáticas e à perda de biodiversidade.
Segundo Mark Workman, diretor da Foresight Transitions, metade das importações de milho, arroz, trigo, cacau, café e soja da UE em 2023, foram oriundas de regiões com um nível baixo a médio de “preparação para as alterações climáticas”.
New Report looks at the climate and biodiversity risks to EU Food Imports, centred on 6 case commodities: Cocoa, Coffee, Maize, Rice, Soy, and Wheat. It finds HALF of these imports come from countries that are climate vulnerable, without the resources to adapt... pic.twitter.com/lhTtkk3m4t
— Ryan Katz-Rosene, PhD (@ryankatzrosene) May 22, 2025
Isto significa que os países não dispõem de recursos para responder às mudanças de temperatura e aos fenómenos meteorológicos mais frequentes e extremos.
Por conseguinte, a redução da quantidade de alimentos disponíveis para importação é suscetível de fazer subir os preços dos alimentos na UE, afetando os consumidores, o emprego e a indústria alimentar.
O arroz é particularmente afetado, uma vez que mais de 90% das importações de arroz são provenientes de países com um grau de preparação para as alterações climáticas baixo.
Segundo o relatório, a produção de chocolate é totalmente dependente das importações, principalmente da África Ocidental, onde os produtores enfrentam “impactos climáticos e de biodiversidade sobrepostos”.
São necessárias soluções a longo prazo
Mark Workman, na apresentação formal do relatório, apelou aos decisores políticos europeus para que abordem a segurança alimentar com “intervenções políticas sólidas em muitos futuros possíveis”, uma vez que a escassez é difícil de prever, instando-os a evitar soluções rápidas para a escassez de alimentos, incluindo a diversificação e a deslocalização.
Diversificar o país de origem das importações de alimentos da UE pode oferecer um alívio a curto prazo, mas não resolve as causas subjacentes, incluindo as pressões climáticas e naturais sobre a agricultura.
Contudo, iniciar uma produção na Europa seria insuficiente para satisfazer a procura, uma vez que também os nossos solos estão igualmente a sofrer os efeitos de um mundo mais quente e da perda de natureza, e alguns produtos de base, como o cacau, não podem ser cultivados num clima europeu.
Referência da notícia
Camilla Hyslop, Mark Workman "Climate and biodiversity risks to EU food imports" Foresight Transitions, maio 2025.
Não perca as últimas notícias da Meteored e desfrute de todo o nosso conteúdo no Google Discover totalmente GRÁTIS
+ Siga a Meteored