Janeiro inaugura o ano de 2026 com superlua, meteoros e a oposição de Júpiter

O céu de janeiro expõe a mecânica celeste em ação, com uma superlua, meteoros rápidos e Júpiter no seu brilho máximo. Fique aqui a saber mais sobre este mês cósmico!

Super lua de janeiro
Observada em janeiro de 2026, a superlua evidencia a influência da gravitação e da geometria orbital no brilho aparente do satélite natural.

Janeiro abre o calendário de 2026 com um céu noturno particularmente expressivo, onde a mecânica celeste se revela em plena atividade.

Entre a dança gravitacional da Lua, a geometria orbital dos planetas e o rasto de partículas deixadas por cometas antigos, o primeiro mês do ano convida à observação atenta do cosmos, não apenas como espetáculo, mas como laboratório natural.

Segundo a National Geographic, no 3º dia de janeiro, a Lua atingiu o perigeu poucas horas após a fase de Lua Cheia, originando a primeira superlua de 2026, tradicionalmente conhecida como Lua do Lobo.

Neste alinhamento específico entre a Terra, Lua e Sol, o satélite natural encontrou-se no ponto mais próximo da sua órbita elíptica em relação ao nosso planeta, com uma aparência até 7% maior e cerca de 15% mais brilhante do que uma Lua Cheia comum.

Este fenómeno é um excelente exemplo da influência da gravitação newtoniana à escala astronómica: pequenas variações na distância Terra–Lua resultam em diferenças mensuráveis no brilho aparente e nas marés oceânicas.

Para além do impacto visual, a superlua permite observar com maior detalhe as regiões de alto contraste do relevo lunar, especialmente ao longo do terminador, onde sombras alongadas revelam crateras e cadeias montanhosas com nitidez acrescida.

Quadrântidas: vestígios de um corpo extinto

Poucos dias depois, na noite de 3 para 4 de janeiro, o céu foi atravessado pela chuva de meteoros Quadrântidas, uma das mais intensas do ano, ainda que de curta duração.

Estes meteoros são fragmentos de detritos deixados pelo asteroide 2003 EH1, possivelmente o remanescente de um cometa extinto.

Ao entrar na atmosfera terrestre a velocidades próximas dos 41 km/s, as partículas sofrem compressão violenta do ar, ionizando os gases atmosféricos e produzindo os breves rastos luminosos observados a partir do solo.

O radiante da chuva localiza-se na antiga constelação do Quadrante Mural, hoje integrada na região do Boieiro, o que explica a visibilidade mais favorável nas horas que antecedem o amanhecer.

Júpiter em oposição: o gigante gasoso no seu máximo esplendor

No dia 10 de janeiro, Júpiter atinge a oposição, um alinhamento em que a Terra se posiciona exatamente entre o planeta e o Sol.

Júpiter
Júpiter atinge a oposição em janeiro de 2026, quando a Terra se alinha entre o planeta e o Sol, tornando-o mais brilhante e visível durante toda a noite.

Nesta configuração, Júpiter nasce ao pôr do sol, permanece visível durante toda a noite e apresenta o seu maior brilho e diâmetro aparente do ano.

Este é o momento ideal para observar as bandas atmosféricas do planeta, resultantes de correntes de convecção profundas, bem como os seus satélites galileanos, Io, Europa, Ganimedes e Calisto, cujas órbitas oferecem um exemplo clássico da aplicação das leis de Kepler.

Com um telescópio modesto, é possível acompanhar eclipses e trânsitos destas luas, uma coreografia gravitacional que ecoa os fundamentos da astrofísica planetária.

Um laboratório celeste a céu aberto

Janeiro de 2026 demonstra que o céu noturno não é estático, mas um sistema dinâmico regido por leis físicas universais.

Cada superlua, cada meteoro incandescente e cada planeta em oposição são manifestações visíveis de equações que descrevem o movimento, a energia e a matéria no Universo.

Começar o ano com os olhos no céu é, afinal, uma forma de lembrar que a Terra faz parte de um sistema muito maior, um sistema que continua a evoluir, noite após noite.