Porque é que o Mar Vermelho tem este nome, apesar de não ser vermelho: as teorias mais aceites pelos especialistas
Durante séculos, foram dadas muitas respostas à mesma pergunta: porque é que o Mar Vermelho tem esse nome quando a sua cor habitual não tem nada a ver com o vermelho.
O topónimo “Mar Vermelho” sempre suscitou uma certa curiosidade. Trata-se de uma das principais rotas marítimas do mundo, situada entre a África e a Ásia, ao longo da Península Arábica e ligada ao Oceano Índico a sul. A sua importância histórica e económica é inquestionável, mas a origem do seu nome continua a gerar debate.
A questão coloca-se repetidamente: se a água não é vermelha, de onde vem o nome? Os investigadores concordam num ponto básico: não existe uma causa única. Ao longo do tempo, foram propostas hipóteses muito diferentes, e várias tornam-se mais plausíveis quando vistas no seu devido contexto.
Porque é que se chama Mar Vermelho: A explicação científica mais citada
Uma das interpretações mais citadas está ligada à natureza. Em determinadas condições, surgem à superfície concentrações de microorganismos que alteram a tonalidade da água, criando uma cor castanho-avermelhada visível em grandes áreas.
Ever wondered, why seas around the world are named like that?
— Umed Pratap Singh (@umedpratapsingh) November 25, 2023
Red Sea
Named after seasonal blooming of cyanobacteria called Trichodesmium erythraeum that turn water from blue to red near the sea shores.
Though the sea is named red but the colour is blue. pic.twitter.com/SgWKjzotcf
Este fenómeno não ocorre durante todo o ano, mas aparece com intensidade suficiente para ter chamado a atenção dos marinheiros que navegavam na zona há séculos atrás. Para os antigos marinheiros e comerciantes, a impressão visual pode ter sido suficiente para estabelecer um nome que, mais tarde, se tornou firme.
Vários especialistas consideram esta explicação plausível porque se baseia em observações reais. Não implica que o mar tenha permanentemente essa cor, mas sim que em determinados momentos pode aparecer assim, o que pode ter influenciado a memória coletiva.
O Mar Vermelho segundo a tradição e os textos antigos
Outra linha de interpretação vem dos relatos religiosos. O episódio da travessia do mar por Moisés, narrado no Livro do Êxodo, é uma das passagens mais conhecidas da tradição bíblica.
Algumas interpretações simbólicas sugerem que a morte dos soldados egípcios e a imagem das águas a fecharem-se podem ter sido associadas à ideia de um mar manchado de sangue. Embora esta explicação não seja normalmente considerada histórica num sentido estrito, a sua influência cultural foi enorme.
A difusão destas histórias pela Europa e pelo Próximo Oriente ajudou a cimentar o nome em mapas, crónicas e traduções. Ao longo dos séculos, o termo foi-se incorporando em muitas línguas, independentemente da sua verdadeira origem.
Outras teorias sobre o nome do Mar Vermelho
Existem também hipóteses de carácter linguístico. Alguns estudiosos acreditam que o nome provém de traduções antigas, nas quais uma palavra hebraica pode ter sido mal interpretada, alterando o significado original do termo.

Outra proposta associa o nome a Edom, um território vizinho cujo nome está associado à cor vermelha. Neste caso, a designação não teria qualquer relação com a água em si, mas sim com referências geográficas ou culturais da época.
Por último, alguns historiadores referem que, em várias civilizações antigas do Próximo Oriente, as cores eram utilizadas para indicar direções. O vermelho estava associado ao sul, enquanto o preto estava ligado ao norte, como no caso do Mar Negro. Nesta perspetiva, o nome teria servido simplesmente como uma forma de orientação.