Temperaturas excecionais no globo: as causas

Recentemente, temos assistido à ocorrência de temperaturas extremamente altas no hemisfério norte e temperaturas extremamente baixas no hemisfério sul. Saiba aqui o que está a acontecer!

Neste início de verão, várias regiões do globo no hemisfério norte foram atingidas por ondas de calor extremas
Neste início de verão, várias regiões do globo no hemisfério norte foram atingidas por ondas de calor extremas

O final do mês de junho foi caracterizado pela ocorrência de ondas de calor em alguns países do hemisfério norte.

Hemisfério Norte

O início do verão no hemisfério norte manifestou-se com temperaturas muito elevadas com países a registarem temperaturas pouco habituais, como foi o caso do Canadá.

Na última semana de junho a região oeste do Canadá foi atingida por uma excecional e perigosa onda de calor com as temperaturas a atingirem valores superiores a 45°C em dias consecutivos, com noites extremamente quentes. No estado de Colúmbia Britânica, em Lytton, foi registada, no dia 29 de junho, a temperatura mais alta da história do Canadá, 49.6°C.

Este acontecimento sem precedentes causou graves impactos. De destacar um número elevado de mortes, atualmente estimam-se cerca de 500 mortes, e a ocorrência de incêndios florestais que levou à evacuação da população de Lytton.

O calor extremo, combinado com uma seca prolongada, amplificaram o risco de incêndios florestais no Canadá e costa oeste dos EUA
O calor extremo, combinado com uma seca prolongada, amplificaram o risco de incêndios florestais no Canadá e costa oeste dos EUA

Além do Canadá esta onda de calor extrema atingiu também a região Oeste e Noroeste dos Estados Unidos, onde se bateram vários recordes. De realçar Seattle, que estabeleceu um novo recorde histórico, 41.7°C e Portland com 44.4 °C.

Outras partes do hemisfério norte, que se estende entre o norte de África, Península Arábica, Europa Oriental, Irão e o noroeste do continente indiano, também registaram condições excecionais de calor para o início do verão. As temperaturas máximas diárias ultrapassaram os 45°C em vários locais e atingiram os anos 50°C no Sahara. A Líbia Ocidental registou temperaturas superiores a 10°C, acima da média, em junho. A Rússia Ocidental e áreas em redor do Mar Cáspio também viram temperaturas invulgarmente elevadas e foram estabelecidos alguns recordes.

Foram várias as regiões do hemisfério norte onde foram quebrados recordes de temperatura elevada.

Na Europa, a Finlândia registou a temperatura mais quente para junho, desde que os registos começaram, em 1844. Várias regiões da Suécia também reportaram recordes de temperaturas altas para junho.

Entretanto, em julho, o calor continua nos países nórdicos, onde já se atingiram temperaturas invulgares no último fim de semana (34°C em alguns locais). Kevo, na Lapónia, registou uma temperatura de 33.6°C no domingo, o dia mais quente desde 1914.

De acordo com Michael Reeder, professor na Universidade de Monash, na Austrália, os eventos nos continentes europeu e norte-americano estavam ligados. As condições meteorológicas que permitiram a formação da onda de calor norte-americana teve origem de uma baixa pressão tropical no Pacífico ocidental, perto do Japão, que perturbou a atmosfera, criando ondulações em torno do hemisfério norte como o que é conhecido como uma onda de Rossby.

Hemisfério Sul

Já o início do inverno, no hemisfério sul, caracterizou-se por um frio recorde em algumas regiões, com registos de temperaturas abaixo dos 0°C.

No Brasil, na última semana de junho, nevou durante três dias seguidos na região Sul. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul registaram temperaturas abaixo de 0°C e até na Bahia as temperaturas desceram para valores nada habituais.

Nevou por três dias seguidos na região Sul do Brasil, com direito a conseguirem-se fazer bonecos de neve
Nevou por três dias seguidos na região Sul do Brasil, com direito a conseguirem-se fazer bonecos de neve

São Paulo teve a madrugada mais fria do ano no dia 30 de junho, 0.1°C, perto do recorde de 2016, que foi de -0.6°C, com registo de algumas mortes devido à vaga de frio.

No Rio Grande do Sul, os flocos de gelo caíram na serra, como de costume, no entanto, nevou também na região metropolitana, o que se torna numa situação nada comum.

A temperatura mais baixa do Brasil foi registada na região serrana do estado de Santa Catarina, no dia 29 de junho, - 7.5°C. O frio que ocorreu neste país da América do Sul, foi devido à influência de uma massa de ar polar muito frio, vindo de latitudes mais elevadas. Essa massa de ar polar teve uma trajetória continental, acabando por atingir o país.

Tendo em conta estes eventos, torna-se imperativo ter consciência que, atendendo às alterações climáticas os fenómenos extremos, tais como as ondas de calor e as vagas de frio, estão a tornar-se mais intensos e frequentes.