A segurança alimentar no Corno de África

Há um alto risco de se agravar a insegurança alimentar em algumas regiões do Quénia, Etiópia, Somália e Uganda devido à escassa precipitação e à seca.

Teresa Abrantes Teresa Abrantes 18 Abr. 2019 - 16:52 UTC
A seca tem efeito direto na produção agrícola.

Existem regiões no globo que têm sido frequentemente afetadas pela ausência ou ocorrência de pouca chuva. A seca prolongada que se verifica numa região tem um efeito acumulado e é considerada como um dos desastres naturais com impactos mais devastadores a médio e a longo prazo, devido ao efeito direto na produção agro-pecuária.

Seca

De acordo com o ICAT, neste momento já se começa a pensar em ações necessárias para evitar uma crise alimentar na chamada região do Corno de África devido à falta de chuva na zona.

O ICPA, Autoridade Intergovernamental para o desenvolvimento do Centro de Previsão e Aplicação do Clima, é um Centro Climático Regional da Organização Meteorológica Mundial em África e desempenha um papel importante no esforço global para fortalecer o fornecimento e uso de serviços climáticos em setores-chave como agricultura e segurança alimentar em África.

A ausência de chuva que se tem verificado em alguns países do chamado Corno de África tem contribuído para o agravamento da seca naquela região. A Somália, Quénia, Etiópia e Uganda são atualmente alguns dos países com maior risco de agravamento da segurança alimentar e têm sido afetados frequentemente por situações de seca, como foi a última de 2016/2017.

Grupo de Trabalho de Segurança Alimentar e Nutricional

Segundo o Grupo de Trabalho de Segurança Alimentar e Nutricional, plataforma regional co-presidida pelo Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e o ICPAC, tem-se verificado uma produção agrícola abaixo da média e assistido à deterioração de pastagens em algumas áreas agropastoris daqueles países.

Ainda de acordo com as mesmas fontes, cerca de 10,7 milhões de pessoas estão atualmente em situação de insegurança alimentar em toda a Somália, Quénia, Etiópia e região de Karamoja, no Uganda. Embora a população com insegurança alimentar seja inferior aos números observados durante a seca de 2017 (15,3 milhões de pessoas), existe um risco elevado de agravamento da situação devido aos défices previstos de precipitação.

O Grupo de Trabalho de Segurança Alimentar e Nutrição tem um papel essencial na mitigação dos efeitos da seca.

Perante esta situação o Grupo de Trabalho de Segurança Alimentar e Nutrição alerta para a necessidade de um planeamento imediato e coordenado pelos governos, doadores e todas as partes interessadas para responder à situação de deterioração da segurança alimentar e nutricional.

A experiência na indicação de ações iniciais de prevenção baseadas em meios de subsistência na região do Corno de África durante a crise de 2016/17, provou que 1 USD investido em ações iniciais economizou até 9 USD, necessárias para uma resposta humanitária.

O Grupo de Trabalho recomenda que deve haver uma monitorização contínua da produção usando tanto métodos de deteção remota como análises conjuntas de campos nas áreas mais afetadas, incluindo o desempenho das previsões a longo prazo.

As ações recomendadas e os avisos emitidos pelo Grupo tem como alvo os níveis de produção agrícola e fornecimento de cereais, pastagem, água e condições de criação de gado. Também pede a ativação de ações antecipadas com foco no fortalecimento dos meios de subsistência agrícolas rurais e a libertação de recursos de apoio a situações de seca. O Grupo de Trabalho acompanhará de perto a situação e fornecerá atualizações do tempo com uma base de 10 dias, bem como atualizações mensais de segurança alimentar.

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