Provérbio meteorológico para setembro: “Setembro, ou seca as fontes ou leva as pontes”

A próxima segunda-feira está cheia de estreias: semana, mês e estação. Setembro dá início ao outono, um período de contrastes em Portugal, onde o calor persiste, a chuva espreita e a incerteza reina.

O mês de setembro é frequentemente marcado por chuva moderada a forte, com efeitos por vezes devastadores, sobretudo após uma época de incêndios como a que tivemos, em que os solos estão mais vulneráveis.

Segunda-feira (1) será um dia de inícios: começa a semana, o mês e também a estação climatológica, já que daremos as boas-vindas ao outono. Uma estação de transição em que os dias começam a ficar mais curtos, as temperaturas tornam-se gradualmente mais amenas e as primeiras chuvas ganham destaque em grande parte do país.

Não é por acaso que os provérbios meteorológicos dedicam tantos ditados ao mês de setembro, que reflete muito bem o seu carácter mutável. Tal como o tempo deste mês, os provérbios são variados e por vezes contraditórios: falam de calor tardio, de tempestades súbitas e dos primeiros sinais das colheitas e do frio que se aproxima. Como se pode ver, são semanas de grandes contrastes, em que o verão ainda se recusa a partir, mas o outono começa a fazer-se sentir.

Seca as fontes...

Em muitos anos o mês de setembro é um prolongamento do verão, uma situação que se tem tornado cada vez mais frequente nos últimos anos em Portugal. Esta é a origem do ditado “seca as fontes”, pois durante este mês a falta de chuva pode acentuar os períodos de seca.

Muitos setembros são um prolongamento do verão.

Não é raro que o mês de setembro nos surpreenda com episódios de calor intenso, algo que, no atual contexto de alterações climáticas, tem-se tornado cada vez mais comum. Estes picos térmicos são conhecidos como “veranicos”, sendo o mais conhecido o veranico de São Miguel, que ocorre no final do mês.

Alguns provérbios que refletem este facto: “São Miguel soalheiro, enche o celeiro”, “Pelo São Miguel os figos são mel”, ou ainda “Em setembro ardem os montes e secam as fontes”.

São breves períodos em que as temperaturas voltam a subir após um início de mês mais fresco, recordando-nos que o verão ainda não terminou. No entanto, à noite é mais comum arrefecer e é altura de usar um casaco (“Pelo São Gil, adoba o teu candil”).

... ou leva as pontes

Não há dúvida que o famoso ditado “setembro ou seca as fontes ou leva as pontes ” descreve na perfeição o carácter irregular deste período. É um mês de extremos no que diz respeito à precipitação: a seca estival pode prolongar-se ou, pelo contrário, desencadear fortes períodos de chuva ou aguaceiros.

Nesta altura do ano, já se torna cada vez mais frequente a chegada de frentes e depressões atlânticas, que trazem chuva frontal mais persistente e contínua, ou então gotas frias, capazes de desencadear aguaceiros fortes, trovoada e granizo.

O mês de setembro pode por vezes apresentar precipitação muito irregulares e por vezes extremamente fortes. É nesta altura do ano que começam a chegar as primeiras bolsas de ar frio de certa dimensão, quer sob a forma de vales depressionários, quer sob a forma de gotas frias. Em Portugal continental as primeiras frentes e depressões atlânticas são ainda mais comuns do que as gotas frias e costumam aparecer com mais frequência e intensidade, varrendo o país de oeste para leste.

Os provérbios destacam a chegada e a intensidade das chuvas de setembro: “setembro molhado, figo estragado”, ”Nunca se viu nem se há-de ver, Feira Franca sem chover”, “Setembro, ou seca as fontes ou leva açudes e pontes”, ou ainda “Lua nova trovejada, trinta dias é molhada e se for a de Setembro até Março irá chovendo”.

Quando as gotas frias aparecem em setembro, costumam favorecer o aparecimento de períodos de aguaceiros fortes, por vezes sob a forma de granizo e acompanhados de granizo. Estes episódios podem arrastar tudo à sua passagem e provocar cheias repentinas em rios e ribeiros, o que dá sentido ao ditado que diz que “setembro leva as pontes”.