Atenção aos pólenes, há níveis máximos no ar!

Em Portugal Continental, diz o Boletim Polínico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, vão registar-se níveis muito elevados nos próximos dias.

Lidia Magno Lidia Magno 26 Mar. 2019 - 10:33 UTC
Níveis de pólens estão muito elevados.

As concentrações de pólenes no ar, vão estar muito elevadas em todas as regiões de Portugal Continental nos próximos sete dias, segundo o Boletim Polínico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). De acordo com o boletim, que está em vigor até dia 28 de março, em Lisboa e em Setúbal, os pólenes encontram-se em níveis muito elevados, com predomínio para os das árvores plátano, azinheira e outros carvalhos e ciprestes, e das ervas urtiga e parietária.

Em Vila Real, os pólenes encontram-se em níveis muito elevados, predominando os das árvores plátano, cipreste, pinheiro e carvalhos, a mesma situação para o Porto, ainda com níveis muito elevados provenientes da erva urtiga. Em Coimbra, encontram-se igualmente em níveis muito elevados, com predomínio dos pólenes das árvores plátano, cipreste, pinheiro, azinheira e outros carvalhos e das ervas urtiga e parietária.

Por sua vez, em Castelo Branco, os pólenes encontram-se em níveis muito elevados, na atmosfera predominam os pólenes das árvores plátano, cipreste, pinheiro, azinheira e outros carvalhos e da erva azeda. De acordo com o Boletim, em Évora, também os níveis são muito elevados, com destaque para os das árvores plátano, azinheira e outros carvalhos, cipreste e das ervas urtiga e azeda.

Ainda no continente, em Portimão, os pólenes vão estar com níveis muito elevados, predominando os das árvores pinheiro, azinheira e outros carvalhos e cipreste, e da erva urtiga. Na Madeira, e ao contrário das regiões do continente, os pólenes estarão em níveis baixos, à semelhança do que acontece na região autónoma dos Açores onde os pólenes apresentam também níveis baixos. Os dados do Boletim Polínico são de divulgação semanal e registam os níveis de pólenes existentes no ar atmosférico após a recolha e leitura através de postos existentes em várias regiões do país.

Tempo quente e seco aumenta níveis de pólenes.

Um bom indicador para o estudo das alterações climáticas

Segundo Elsa Caeiro, membro da Rede Portuguesa de Aerobiologia e investigadora do Laboratório de Polinologia da Universidade de Évora está, nesta altura, a ocorrer uma sobreposição de curvas polínicas de espécies diferente que são causa frequente de doenças alérgicas como rinite e asma.

O pólen de oliveira, por exemplo, está a atingir níveis jamais alcançados. Isto é particularmente notório no sul de Portugal, onde a oliveira é cultivada de forma extensiva e intensiva. A oliveira, de acordo com alguns estudos, pode ser utilizada como um bio-indicador de alterações climáticas na região Mediterrânica.

Segundo a investigadora, o fenómeno deste ano pode possivelmente ser uma consequência dessas alterações, pois, segundo alguns estudos, as alterações climáticas induzem algumas plantas a polinizar precocemente e durante um intervalo de tempo maior.

As condições meteorológicas na altura da polinização das espécies, são as ideais (temperaturas próximas dos 25 graus e a ausência de precipitação, conjuntamente com dias de sol e vento), por isso são libertadas e emitidas para a atmosfera elevadas concentrações de pólen.

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